Ataque cibernético força descongelamento de freezers e afeta supermercados europeus

Um ataque cibernético está afetando sistemas de refrigeração, entregas e etiquetas de preço em supermercados da França, Bélgica e Holanda. O caso envolve controles fabricados pela Danfoss e teria provocado o acionamento contínuo do descongelamento automático em lojas de grandes redes. A função, que costuma operar por cerca de duas horas diárias, foi configurada para trabalhar sem interrupção, levando os equipamentos a temperaturas de até 50 graus Celsius. Um freezer a 50 graus: parece piada ruim, mas os prejuízos relatados já não têm graça.

Na França, os problemas atingiram equipamentos usados por redes como Intermarché, Leclerc e Coopérative U. Dominique Schelcher, presidente da última, confirmou que instalações de refrigeração de várias lojas estavam sendo afetadas desde a noite anterior. Equipes foram mobilizadas para tentar corrigir o problema, enquanto uma investigação foi anunciada. Schelcher classificou o episódio como extremamente sério. A descrição é sóbria; a cena, nem tanto: uma onda de calor saindo de geladeiras e congeladores enquanto técnicos correm para impedir que alimentos sejam perdidos.

Quais supermercados foram afetados pelo ataque?

Na França, Intermarché, Leclerc e Coopérative U aparecem entre as redes afetadas pelos controles de refrigeração da Danfoss. Na Holanda, Albert Heijn, Etos e Gall & Gall também relataram interrupções relacionadas a um incidente de segurança cibernética ocorrido no domingo à tarde. As empresas derrubaram ou limitaram sistemas para proteger o ambiente de tecnologia da informação, medida que atingiu sites de compras e entregas. Não se trata, portanto, apenas de uma geladeira fazendo birra: quando a infraestrutura digital cai, o pedido do cliente também pode ficar pelo caminho.

A holandesa Albert Heijn afirmou que adotou medidas imediatas para proteger seus sistemas e desligou preventivamente parte deles. A rede Delhaize, da Bélgica e pertencente ao mesmo grupo, também registrou interrupções. Em Amsterdã, imagens publicadas na internet mostraram lojas avisando os clientes sobre problemas nos preços. Programas de fidelidade foram suspensos, e as etiquetas eletrônicas das prateleiras deixaram de funcionar corretamente. Preço errado na tela é inconveniente; produto perecível descongelando é outra conversa — e bem mais cara.

 

 

O ataque afetou preços e entregas?

Sim, há relatos de impacto em preços exibidos nas lojas, programas de fidelidade, sites e entregas, embora ainda não esteja claro se todos os incidentes têm a mesma origem. As etiquetas eletrônicas comprometidas dificultaram a atualização dos valores nas prateleiras, enquanto a interrupção de sites afetou pedidos feitos pela internet. É a versão varejista de uma pane em cadeia: o sistema que controla o estoque conversa com o que recebe o pedido, que conversa com o preço exibido ao consumidor.

As primeiras estimativas apontam perdas próximas de 300 mil euros, com possibilidade de chegar a vários milhões em todo o país. O número ainda pode mudar, porque o alcance do incidente não foi estabelecido. Também não está confirmado se os problemas registrados na França, na Holanda e na Bélgica fazem parte da mesma campanha. Talvez sejam episódios conectados; talvez apenas tenham coincidido no calendário. O que se sabe é suficiente para mostrar a fragilidade: uma função automática pensada para proteger um equipamento pode, quando manipulada, transformá-lo em fonte de prejuízo.

As redes dizem estar trabalhando na recuperação e na investigação, mas a sequência exata do ataque continua desconhecida. Não há, até o momento, indicação pública sobre os responsáveis ou sobre como os sistemas foram acessados. Enquanto isso, funcionários precisam substituir controles digitais, verificar mercadorias e explicar ao cliente por que o valor na etiqueta não bate com o caixa. A prateleira eletrônica prometia silêncio e precisão. Por algumas horas, entregou outra coisa: o retrato de uma loja moderna descobrindo que até o frio depende de software.

 

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