A próxima aposta da Nvidia pode estar fora dos data centers — entenda o caminho até US$ 10 trilhões

Antes do lançamento do ChatGPT, a Nvidia valia US$ 386 bilhões; hoje, impulsionada pela inteligência artificial generativa, aproxima-se de US$ 5 trilhões. A próxima perna dessa história pode nascer longe dos data centers: em veículos autônomos, robôs e máquinas capazes de perceber o ambiente, tomar decisões e agir nele. Jensen Huang chama esse campo de inteligência artificial física. A tese é ambiciosa, não uma profecia: se essa divisão alcançar US$ 100 bilhões em receita anual e o negócio principal continuar crescendo, a Nvidia poderia chegar a uma avaliação de US$ 10 trilhões. O detalhe menos comentado é que a empresa não está apenas vendendo chips para esse futuro; está tentando fornecer o sistema nervoso inteiro.

Por que a inteligência artificial física importa para a Nvidia?

A inteligência artificial física pode ampliar a Nvidia porque leva seus chips, softwares e plataformas para robôs, veículos e máquinas industriais. A empresa já é conhecida pelas GPUs que sustentam o treinamento e a inferência de modelos em data centers, mas sua atuação não termina na nuvem. O supercomputador Jetson Thor foi apresentado como líder em inferência de IA e simulação robótica, segundo o material analisado, e é usado por empresas como Boston Dynamics, Amazon Robotics, Caterpillar e Deere. Nesses casos, a tecnologia ajuda robôs de armazém e equipamentos agrícolas a interpretar imagens, compreender o entorno e executar tarefas sem depender de comandos humanos a cada movimento.

O alcance também inclui Meta, OpenAI e a fabricante de dispositivos médicos Medtronic. Ainda assim, o prêmio maior pode estar nos veículos autônomos, justamente quando esse mercado começa a sair do laboratório e encontrar passageiros pagantes. A Waymo, da Alphabet, alcançou 500 mil corridas pagas por semana e operava em dez regiões metropolitanas, enquanto os robotáxis da Tesla estavam disponíveis em sete cidades, de acordo com os números citados. Nvidia não é parceira direta dessas duas operações, mas fechou acordos com Uber, Toyota, Stellantis, Mercedes-Benz, BYD e Geely. Na prática, a empresa quer estar no painel de controle de vários caminhos, não apostar em um único motorista.

Quanto o negócio de veículos autônomos já representa?

O negócio automotivo da Nvidia ainda é pequeno, mas cresceu 39% e registrou US$ 2,3 bilhões de receita no ano fiscal de 2026. Esse número é modesto diante dos quase US$ 5 trilhões atribuídos à companhia, e serve como antídoto contra a narrativa fácil de que qualquer protótipo de robô já virou uma mina de ouro. A partir do ano fiscal de 2027, a Nvidia passou a reunir Gaming e AI PC, Visualização Profissional e Automotive and Robotics em um segmento chamado Edge Computing. O agrupamento reduz a transparência sobre automóveis, embora a companhia continue divulgando atualizações. Para o investidor, separar crescimento real de reorganização contábil ficou mais trabalhoso.

Huang afirmou recentemente que a área de inteligência artificial física já gera uma receita anualizada de US$ 10 bilhões e poderia alcançar US$ 100 bilhões na próxima década. O acordo mais concreto mencionado envolve Uber, Nvidia e fabricantes como a Stellantis, com objetivo de entregar pelo menos 5 mil veículos autônomos de nível 4 para uma rede de robotáxis. A plataforma DRIVE AGX Hyperion funcionaria como o cérebro desses veículos e de outros projetos automotivos. Nível 4 não significa autonomia irrestrita em qualquer rua ou clima: indica operação sem intervenção humana dentro de condições e áreas definidas. Essa distinção técnica costuma desaparecer quando o marketing entra na sala.

Como a inteligência artificial física poderia levar a Nvidia a US$ 10 trilhões?

A Nvidia poderia alcançar US$ 10 trilhões combinando o crescimento dos data centers com uma divisão física de US$ 100 bilhões e múltiplos mais altos. Hoje, as ações negociam a um índice preço/lucro futuro de 22, abaixo do S&P 500, enquanto analistas esperam crescimento de 82% na receita neste ano. A aparente contradição — uma empresa crescendo depressa, mas avaliada com desconto relativo — reflete dois receios conhecidos: a ciclicidade histórica dos semicondutores e a possibilidade de uma bolha de IA. O mercado está dizendo que os lucros atuais podem desacelerar. Não é pessimismo gratuito; é memória de um setor que raramente entrega crescimento linear.

A inteligência artificial física oferece uma resposta parcial a esse temor porque abre uma vertical diferente da computação generativa e pode ter demanda mais persistente em transporte, logística, agricultura e saúde. Além do hardware, parte do negócio automotivo usa um modelo recorrente de software como serviço, associado à plataforma Drive AV. Software costuma receber avaliações superiores às de fabricantes de componentes, desde que mantenha crescimento e margens. Se a divisão atingir US$ 100 bilhões em receita, o material estima que ela poderia valer US$ 2 trilhões ou mais. Somados a um data center ainda expansivo, esses ativos formariam uma Nvidia menos dependente de um único ciclo. A promessa, portanto, não é apenas vender mais chips; é transformar a empresa em infraestrutura da máquina que se move.

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