Descubra o que você toca todos os dias e deveria limpar agora

Qual é a coisa mais suja que você toca todos os dias? O corrimão do metrô parece um candidato óbvio. Talvez o botão do elevador, o chaveiro do carro ou a maçaneta do escritório. Todos acumulam mãos, poeira e histórias que ninguém pediu para conhecer. Mas a resposta mais provável está no seu bolso: o celular. Caitlin Mangan, gerente de laboratório da Gillson Sciences, diz que as pessoas levam o aparelho para todos os lugares, inclusive o banheiro, e o tocam milhares de vezes sem lavar as mãos entre uma tarefa e outra.

A frequência é parte importante do problema. Um levantamento citado pelo Institute for Healthcare Policy & Innovation, da Universidade de Michigan, afirma que o telefone celular pode ser dez vezes mais sujo que um assento sanitário. Sim, o retângulo brilhante onde você lê mensagens, chama transporte e consulta receitas pode carregar uma coleção desagradável de microrganismos. As pessoas verificam o celular, em média, 47 vezes por dia. Some a isso bolsas, mesas, bolsos, transporte público e bancadas — não, o contrário: às vezes o aparelho passa por mais lugares do que você.

Por que o celular acumula tantos germes?

O celular acumula tantos germes porque é tocado repetidamente e viaja entre ambientes com diferentes níveis de limpeza. Essa resposta é direta: contato constante cria muitas oportunidades para a transferência de microrganismos. Roupas e sapatos também circulam por esses espaços, mas o telefone recebe atenção especial porque vai da mão ao rosto, da mesa ao bolso e, em alguns casos, ao banheiro. O detalhe incômodo é que um corrimão de metrô pode estar mais limpo do que o seu aparelho, dependendo da rotina de higienização. Não há uma hierarquia moral da sujeira; há frequência, superfície e limpeza.

Uma maçaneta de escritório, por exemplo, pode ser tocada por menos pessoas durante o dia e ainda assim oferecer risco porque não é limpa com tanta frequência. Já uma barra do metrô, apesar do fluxo intenso de passageiros, pode receber higienização diária e adequada. “Depende de com que frequência as áreas são limpas”, explica Mangan. É uma variável prosaica, quase sem glamour, mas dissolve aquela certeza confortável de que o objeto mais público é sempre o mais contaminado. A aparência não ajuda muito aqui. Uma superfície reluzente pode esconder mais história do que um banco evidentemente encardido.

Como reduzir a sujeira do celular?

Para reduzir a sujeira do celular, evite usá-lo no banheiro, não o apoie em superfícies provavelmente contaminadas e impeça que encoste na bochecha ou na boca durante as chamadas. A higiene do aparelho também importa: papel-toalha, álcool e cotonetes podem ser usados para limpá-lo sempre que possível, respeitando os cuidados recomendados para o dispositivo. O telefone pode carregar bactérias comuns da pele, como Staphylococcus e Streptococcus, além de bactérias associadas a fezes, como E. coli e Enterococcus faecalis. Elas podem estar relacionadas a infecções de pele, faringite estreptocócica e problemas gastrointestinais com náusea, vômito e diarreia.

A medida mais importante, porém, continua sendo menos tecnológica: lavar as mãos com frequência e cuidado. O álcool no aparelho não substitui a pia, assim como uma tela limpa não transforma o banheiro em laboratório. Talvez você nunca saiba qual superfície tocou por último; tudo bem, ninguém precisa montar uma investigação criminal para pegar o telefone. Basta lembrar que ele acompanha cada deslocamento e retorna à sua mão como se nada tivesse acontecido. O próximo toque começa ali, no mesmo aparelho que você acabou de limpar.

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