Entenda por que o resgate do telescópio Swift fracassou

A espaçonave robótica Link voltou à Terra na sexta-feira, menos de três meses depois de partir para uma missão ousada: salvar o telescópio espacial Swift, da NASA. A tentativa terminou antes da hora, quando problemas eletrônicos, uma válvula defeituosa e a falta de combustível impediram o veículo de capturar o observatório e elevá-lo para uma órbita mais estável. A Katalyst Space Technologies, responsável pela nave, anunciou sua reentrada na atmosfera. O projeto custou US$ 30 milhões e, apesar do fracasso operacional, serviu como ensaio para futuras missões de resgate orbital.

O Swift, lançado em 2004 ao custo de US$ 364 milhões, continua funcionando, mas por pouco tempo. Sua órbita está baixando gradualmente, e a NASA espera que o telescópio reentre na atmosfera no início de novembro. O problema se agravou porque a atividade intensa do Sol aumentou o arrasto atmosférico sobre o observatório, acelerando sua queda. Para ganhar algumas semanas, a agência suspendeu as observações no começo do ano e reposicionou o Swift, reduzindo tanto quanto possível a resistência do ar. Não era uma solução permanente. Era relógio.

Por que a missão Link foi cancelada?

A missão Link foi cancelada porque a nave perdeu sistemas essenciais de orientação e não tinha combustível suficiente para completar o resgate. Lançada em 3 de julho, ela apresentou rapidamente falhas em dois dos três volantes de reação usados para girar e apontar a espaçonave. Depois, uma válvula defeituosa colocou o veículo em rotação acelerada e interrompeu a comunicação com as equipes em solo. Os engenheiros retomaram o controle, mas o gasto de propelente deixou a nave sem margem para executar a operação principal — não, o contrário não aconteceu: chegar perto do alvo não significava mais conseguir salvá-lo.

A Katalyst havia montado a Link em menos de um ano, sob um cronograma agressivo. O veículo tinha três braços robóticos, cada um com aproximadamente um metro de comprimento e uma garra semelhante a uma mão. A ideia era agarrar o Swift, acoplar-se a ele e empurrá-lo para uma órbita mais alta e duradoura. Em agosto, a operação foi oficialmente abandonada. Nas semanas restantes, os controladores praticaram o movimento dos braços e conduziram a Link até uma distância entre 12 e 15 quilômetros do telescópio. Foi perto o bastante para fotografá-lo. Perto o bastante, mas não o bastante.

O que o fracasso ensina sobre o Swift?

O fracasso ensinou que missões de manutenção orbital exigem preparação para falhas, especialmente quando uma nave é construída com prazo curto para alcançar um alvo que já está descendo. A NASA afirmou que o esforço valeu a pena porque ofereceu prática concreta para futuros resgates de satélites e obrigou as equipes a trabalhar contra um prazo incomumente apertado. Ghonhee Lee, diretor-executivo da Katalyst, disse que a empresa levará as lições para seus próximos projetos de recuperação. Talvez seja uma consolação cara. Ainda assim, no espaço, uma aproximação de poucos quilômetros pode render mais conhecimento do que uma simulação impecável.

O Swift volta a observar o universo no mês que lhe resta. O telescópio foi projetado para girar rapidamente e registrar explosões de raios gama, estrelas em colapso e outros eventos que mudam em questão de instantes. Essa velocidade permite que ele funcione como vigia ou primeiro respondente, alertando observatórios capazes de acompanhar o fenômeno com instrumentos mais detalhados. A NASA agora tenta descobrir como preencher esse vazio quando o observatório desaparecer. A Link caiu, mas deixou uma pergunta em órbita: quem estará olhando quando o próximo clarão acontecer?

spot_img