Do som de uma fita cassete ao instante em que uma fotografia aparece diante dos olhos, alguns gadgets antigos estão voltando por um motivo simples: o smartphone resolve quase tudo, mas não reproduz todas as experiências. Há prazer no botão grande, na espera, no objeto que faz uma coisa só. Fabricantes perceberam isso e passaram a misturar desenhos reconhecíveis com Bluetooth, USB-C, aplicativos e armazenamento digital. O resultado não é exatamente uma volta ao passado. É o passado com firmware.
Por que as máquinas de escrever digitais estão ganhando espaço?
As máquinas de escrever digitais estão ganhando espaço porque reduzem notificações, abas e distrações ao mínimo, mantendo apenas teclado, tela e texto. Elas atendem quem quer escrever com concentração sem abrir mão de transferir o material depois.
A Freewrite Smart Typewriter é o exemplo mais direto dessa proposta. Seu desenho lembra uma máquina de escrever clássica, com teclas mecânicas e uma tela pequena, e custa US$ 699. O aparelho não tenta ser um computador completo — ainda bem. Os rascunhos são sincronizados com a nuvem e podem ser exportados para outros programas quando chega a hora de editar.
A Pomera segue por outro caminho. Parece mais um laptop compacto e oferece corretor ortográfico, gerenciamento de documentos, contagem de palavras, diferentes formas de transferência e até 20 horas de bateria. Custa US$ 549. A ideia é curiosa: retirar quase tudo de um computador para devolver ao ato de escrever alguma solenidade, como se cada parágrafo precisasse merecer a tecla pressionada.
Quais aparelhos recuperam o som das fitas e dos discos?
Boomboxes, toca-fitas e vitrolas recuperam o som analógico enquanto incorporam recursos atuais, como Bluetooth, baterias recarregáveis e gravação por USB. Eles funcionam tanto como equipamentos de áudio quanto como peças de decoração — o que não é pouca coisa quando a sala já está cheia de telas.
O We Are Rewind GB-001 custa US$ 525 e reúne woofers, tweeters, toca-fitas e gravador em um corpo inspirado nos boomboxes. Também oferece Bluetooth, bateria recarregável e 104 watts de potência. É uma combinação estranha apenas até alguém apertar o play. Depois, a lógica aparece.
O Bumpboxx BB-777, em campanha no Kickstarter, aposta no visual exagerado dos anos 1980. Traz sistema de três vias, dois decks de cassete com gravação e dublagem em alta velocidade, CD, gravação por USB e rádio AM/FM. Já o Retrospekt, por US$ 99, é uma versão mais discreta do tocador portátil estilo Walkman: reproduz, rebobina, avança e grava, com alimentação por pilhas ou USB-C.
Para os discos, o DEKO, da Kickback World, custa US$ 500 e começou a ser enviado em janeiro de 2025. Seu acrílico laranja e a referência ao modernismo sueco o afastam do conhecido toca-discos portátil em formato de mala. A música pode ser antiga. O móvel, nem tanto.
As câmeras instantâneas ainda fazem sentido?
As câmeras instantâneas ainda fazem sentido para quem valoriza a fotografia física, a espera e as pequenas imperfeições do filme. Ver a imagem surgir segundos depois cria uma relação diferente da foto capturada e esquecida na galeria do celular.
A Polaroid Flip, por US$ 249, conserva o visual retrô, mas inclui foco automático, conexão com aplicativo e controle remoto. A Fujifilm Instax Mini Evo, encontrada por US$ 225, mistura captura digital e impressão instantânea, permitindo guardar e compartilhar as imagens antes de gastar filme. O modelo recebeu USB-C, e a Instax Mini Evo Cinema, lançada em janeiro por US$ 412, funciona como uma câmera híbrida de três funções e também imprime imagens enviadas pelo smartphone.
Existe ainda a opção deliberadamente simples da Kodak. A câmera descartável de uso único custa US$ 30, não exige domínio de fotografia e continua entregando imagens com o charme irregular que nenhum filtro reproduz perfeitamente. No ano passado, a marca também lançou a Charmera, uma minúscula câmera digital em formato de chaveiro, capaz de salvar e transferir fotos e vídeos por USB-C. Pequena, sim. Inútil, não.
Quais telefones retrô funcionam sem redes sociais?
Os telefones retrô estão voltando como uma alternativa à comunicação dominada por telas, aplicativos e notificações, especialmente para crianças e famílias que querem controlar quem pode ligar. A conexão continua moderna; a interface é que recuou algumas décadas.
O Tin Can custa US$ 100 e lembra um telefone fixo, mas funciona por Wi-Fi, sem tomada telefônica. Apenas contatos aprovados podem ligar, e os responsáveis administram a lista por um aplicativo. O plano gratuito permite chamadas entre usuários Tin Can; para falar com todos os contatos autorizados, custa US$ 9,99 por mês.
O Pinwheel Home segue lógica semelhante e foi lançado em julho para oferecer às crianças uma forma de contato sem tela. Chamadas entre aparelhos Pinwheel são gratuitas. Para números comuns, há planos de US$ 6,99 mensais, com até cinco contatos aprovados, ou US$ 9,99 para chamadas ilimitadas. O Ooma MyPhone, por US$ 100, acrescenta horário de silêncio, alertas de emergência e monitoramento do histórico pelos responsáveis. Não tem aplicativos, internet, mensagens nem redes sociais.
Para adultos que sentem falta de um teclado físico, o Clicks custa US$ 499 e parece um BlackBerry dos anos 2000. Anunciado na CES 2026, permite mensagens, Gmail e Slack, mas bloqueia jogos para celular e redes sociais. É uma restrição voluntária, portanto quase uma extravagância. Ainda assim, talvez seja justamente esse o ponto: quando tudo cabe no aparelho, escolher o que fica de fora passa a ser uma função.





