Veja como The Ninth Jedi encontrou uma nova faísca para Star Wars

Star Wars chega ao 50º aniversário em 2027 carregando uma contradição conhecida: a franquia nunca teve tantas maneiras de continuar, mas parece menos segura quando precisa voltar ao cinema. Livros, quadrinhos, jogos e até um crossover oficial com Dungeons & Dragons mantêm a galáxia ocupada. No entanto, The Mandalorian and Grogu, primeiro filme a chegar aos cinemas desde A Ascensão Skywalker, de 2019, recebeu críticas medianas e perdeu força rapidamente nas bilheterias. Nesse cenário, uma produção menor, estranha e fora do cânone encontrou uma resposta muito mais calorosa. Star Wars: Visions Presents — The Ninth Jedi talvez não resolva o futuro da franquia, mas aponta uma direção que merece atenção.

O que é The Ninth Jedi?

The Ninth Jedi é uma série de anime com oito episódios que amplia uma das histórias mais elogiadas da primeira temporada de Star Wars: Visions — e o primeiro curta da antologia a ser promovido a série própria. A produção é da Production I.G., o estúdio de Ghost in the Shell: Stand Alone Complex, sob supervisão de Kenji Kamiyama, que dirigiu o curta original de 2021 e, mais recentemente, O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim. A trama acompanha Lah Kara, filha de um forjador de sabres de luz, em um futuro distante no qual os Jedi quase desapareceram e as próprias armas viraram matéria de lenda. A personagem já havia aparecido no curta e em The Ninth Jedi: Child of Hope, exibido no terceiro volume de Visions, em outubro de 2025. Agora, ela recebe uma história mais ampla, com espaço para dilemas próprios e uma galáxia que não precisa pedir licença à família Skywalker.

Kara e o Mestre Jedi Margrave Juro tentam reconstruir a Ordem Jedi enquanto procuram Lah Zhima, pai desaparecido da protagonista. A jornada atravessa diferentes mundos, reúne possíveis novos Jedi e coloca o grupo contra o General Nawaam, um senhor da guerra mascarado cuja força militar ameaça a galáxia. A estrutura ainda traz os objetos de estimação da franquia — sabres, Jedi e Sith —, mas abandona a continuidade dos filmes e das séries live-action do Disney+. Como em outras histórias de Visions, essa distância do cânone funciona menos como desculpa e mais como licença criativa.

Por que a série consegue reinventar os Jedi?

O principal mérito de The Ninth Jedi é usar a liberdade fora do cânone para reinventar Jedi, sabres de luz e o futuro da franquia. Os sabres saem da forja sem cor definida e só revelam a lâmina quando acesos: verde ou azul denuncia quem permanece na Luz, vermelho entrega quem já cedeu ao Lado Sombrio. É um teste embutido na arma — uma ideia visual simples que transforma cada ignição em momento de tensão e altera o significado tradicional desses objetos. A série questiona ainda se uma conexão poderosa com a Força é indispensável para alguém ser reconhecido como Jedi. Não é uma reforma burocrática da Ordem, com formulário novo e carimbo dourado; é uma pergunta sobre quem tem direito de ocupar esse papel.

Kamiyama, diretor supervisor, disse à Polygon que pretendia superar a divisão rígida entre Lado da Luz e Lado Sombrio. Para ele, a própria Ordem Jedi havia se tornado restritiva, e Kara deveria representar o que uma nova geração de Jedi poderia ser. A escolha conversa diretamente com o momento atual da franquia. Enquanto os planos editoriais do 50º aniversário retornam a Luke, Leia, Han, Darth Vader e Kylo Ren, The Ninth Jedi prefere personagens desconhecidos, uma era inédita e regras que ainda não foram transformadas em relíquia de museu.

As críticas mostram um caminho para Star Wars?

As críticas indicam que Star Wars encontra recepção melhor quando deixa de depender da saga Skywalker e permite que novas ideias conduzam a história. The Ninth Jedi estreou em 5 de agosto com 100% no Rotten Tomatoes; alguns dias depois, a pontuação havia recuado para 95%. Os elogios se concentram na animação, nas batalhas de sabre de luz, nos personagens novos e na disposição de contar uma aventura que não precisa explicar cada parentesco antigo. O entusiasmo não nasce apenas da familiaridade, mas do atrito entre familiaridade e surpresa.

O contraste com The Mandalorian and Grogu é difícil de ignorar. O filme aparece com 60% no Rotten Tomatoes, cuja síntese reconhece a força da ação, mas critica a história superficial e a estrutura episódica. Isso não significa que a Lucasfilm vá abandonar o cânone ou reescrever cinco décadas de mitologia. Significa algo mais modesto e, por isso mesmo, mais útil: a franquia parece respirar melhor quando não precisa carregar todo o seu arquivo morto para cada aventura. Star Wars: Starfighter, dirigido por Shawn Levy e estrelado por Ryan Gosling, Mia Goth, Amy Adams e Matt Smith, estreia em 28 de maio de 2027 — três dias depois dos 50 anos exatos da sessão que começou tudo. A questão será saber se ela terá a mesma coragem de começar sem olhar o tempo inteiro para trás.

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