Veja como bloquear o rastreamento de navegação no ChatGPT

O ChatGPT pode estar recebendo sinais sobre os sites que você visita por meio de cookies de análise, segundo uma investigação divulgada em 23 de setembro de 2026. A prática permitiria associar páginas acessadas, produtos pesquisados e comportamentos de compra à conta do usuário. Não é exatamente o chatbot lendo cada aba aberta — a mecânica é mais prosaica e, por isso mesmo, fácil de ignorar: um pequeno arquivo acompanha sua navegação onde o código de publicidade da OpenAI estiver instalado. A boa notícia é que os cookies não essenciais podem ser desativados nas configurações da conta.

Como o ChatGPT acompanha sua atividade de navegação?

O rastreamento ocorre por meio do cookie analítico chamado “__obi”, vinculado à conta do ChatGPT, de acordo com o pesquisador de segurança Buchodi. Sites que exibem anúncios destinados ao ecossistema da OpenAI podem carregar um pequeno trecho de código da empresa. Quando isso acontece, o cookie envia à OpenAI informações sobre a página visitada. Produtos procurados, artigos lidos, páginas consultadas — não necessariamente o conteúdo inteiro, mas sinais suficientes para formar um perfil de interesse.

O ponto delicado está na ligação entre esses dados e a identidade do usuário. A atividade observada em diferentes sites pode ser relacionada à conta do ChatGPT, criando uma ponte entre a navegação comum e as conversas mantidas com o assistente. É o tipo de cruzamento que parece banal até lembrar que muita gente conta ao chatbot coisas que jamais escreveria em um mecanismo de busca. A recomendação que chega como conselho pode, talvez, carregar uma camada publicitária invisível. Ou não; a empresa ainda precisa explicar melhor o alcance do mecanismo.

Segundo Buchodi, o acompanhamento também poderia continuar depois que o usuário saísse da conta, identificado então como um “sujeito anônimo”. O período mencionado é de pelo menos 27 dias, mesmo após a remoção da conta do ChatGPT da equação. Isso não significa que toda visita esteja sendo registrada indefinidamente, nem que o sistema leia mensagens privadas. Significa que um identificador persistente pode manter a conexão entre sessões e páginas acessadas por algum tempo. Parece detalhe técnico. É justamente aí que a privacidade costuma escorregar.

Como impedir que esses cookies acompanhem sua navegação?

Você pode bloquear o rastreamento desativando os cookies de análise e marketing nas configurações de consentimento da OpenAI. Entre na página da sua conta, abra “Settings” e acesse “Data Controls”. Depois, procure “Cookie Consent” e desligue as opções de analytics e marketing, mantendo apenas os cookies estritamente necessários ao funcionamento do serviço, se desejar. Também é possível recusar os cookies não essenciais na primeira visita ao site. A lógica é simples: se o arquivo não entra, o código perde uma das principais formas de reconhecer seu navegador.

Há uma segunda camada de proteção, controlada pelo próprio navegador. Em dispositivos iOS, o texto informa que cookies de terceiros são bloqueados por padrão, seja no Safari, seja no Chrome. No Android e no Windows, especialmente ao usar o Chrome, é preciso revisar manualmente as configurações de privacidade e bloquear cookies de terceiros. O caminho exato muda conforme a versão do aplicativo, mas a opção costuma ficar em “Privacidade” ou “Cookies”. E vale limpar identificadores já armazenados: bloquear a porta não apaga quem já entrou.

Buchodi afirma ter procurado a OpenAI para questionar por que um recurso classificado como analítico atuaria de maneira semelhante a uma ferramenta de marketing. A equipe de suporte teria confirmado o recebimento da solicitação e dito que as observações seriam encaminhadas para análise interna, sem detalhar a finalidade dos dados. Até que haja uma explicação mais precisa, a escolha prática é reduzir o consentimento ao mínimo necessário. Não é paranoia; é higiene digital, aquela tarefa pouco glamourosa que só parece importante depois do vazamento.

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