Os bolos da confeitaria Bolos Feios da Mari viralizaram nas redes sociais e fizeram a demanda crescer 90%. O negócio, criado por Mariana Neves como fonte de renda extra, passou a receber dez encomendas por semana e precisou contratar duas pessoas. Coloridos, expressivos e deliberadamente pouco convencionais, os bolos conquistaram um público que parece ter se cansado da perfeição de catálogo. Feios? Só na placa. No chantilly, há uma ideia bastante precisa.
O impulso veio de uma publicação feita no X em 17 de setembro pelo usuário @1eozinho01. As imagens reuniam bolos inspirados na drag queen Ana Mary B, em Ana Maria Braga, Pabllo Vittar, Jesus Cristo e até nas Torres Gêmeas, em Nova York. O post alcançou 547,3 mil visualizações, 240 comentários e 48 mil curtidas. “Encantado com essa loja de bolos”, escreveu o usuário. A internet, que costuma transformar qualquer sobremesa em campo de batalha, dessa vez preferiu o entusiasmo.
Por que os bolos feios chamaram tanta atenção?
Os bolos chamaram atenção porque combinam aparência propositalmente torta, referências populares e uma execução que exige domínio técnico. A graça está em parecer improviso sem ser — não, o contrário —: Mariana precisa controlar cor, desenho, volume e acabamento para produzir o efeito de algo feito sem compromisso. Internautas perceberam a dificuldade. “Qualquer pessoa bem treinada ou com um certo dom faz um bolo bonito. Estes bolos feios são ARTE”, comentou uma pessoa. Outra resumiu que fazer bolo feio com constância pode ser mais difícil que fazer bolo bonito.
A história começou antes da confeitaria. Durante a pandemia da Covid-19, Mariana usava bolos fora do padrão para comemorar aniversários de familiares sem festas tradicionais. Havia ali uma lembrança dos bolos dos anos 1990 e dos desenhos infantis, uma estética que não tenta esconder a mão de quem fez. Em 2025, enquanto trabalhava com marketing, ela abriu o negócio para obter renda extra, incentivada por amigos que diziam que comprariam suas criações. O nome também funcionava como escudo contra o perfeccionismo: chamar de “bolo feio” permitia testar técnicas de arte sem prometer uma obra impecável.
Como o negócio cresceu depois do viral?
O negócio cresceu de quatro ou cinco bolos por semana para dez encomendas semanais depois da repercussão, com a agenda de setembro e da primeira semana de outubro preenchida. Antes, o preço era de R$ 150 por quilo; agora, Mariana pretende cobrar pela arte, não apenas pelo peso. É uma mudança pequena na tabela e enorme na lógica: o cliente não compra só massa e cobertura, mas uma imagem que precisa ser pensada, executada e reconhecida. Para dar conta da logística e das redes sociais, ela contratou duas pessoas. O bolo deixou de ser renda paralela. Virou operação.
Mariana, de 31 anos, afirma que ficou assustada com a repercussão, mas entendeu que havia atraído o público certo — gente disposta a pagar por uma criação com personalidade. Ela pretende avançar com calma na confeitaria e se especializar na área antes de decidir se deixará o trabalho com comunicação. “Marketing é minha paixão, confeitaria é um romance de verão que pode virar um casamento”, disse. Talvez seja cedo para saber se haverá casamento. Por enquanto, os bolos continuam coloridos, estranhos e muito bem encomendados.
Se quiser comprar seu bolo feio, aqui está o endereço do Instagram.




