Erupção do Anak Krakatau interrompe voos e retém 150 mil passageiros na Ásia

Uma erupção do Anak Krakatau, no Estreito de Sunda, levou autoridades da Indonésia a suspender operações em seis aeroportos e afetou 467 voos. Mais de 150 mil passageiros ficaram retidos, principalmente em rotas envolvendo Singapura, além de conexões com Doha, Sydney e Kuala Lumpur. A nuvem de cinzas também provocou irritação nos olhos, cancelamento de aulas e interrupção de atividades de pesca. O episódio reacende a memória de dois desastres associados ao vulcão: a erupção do Krakatoa em 1883 e o colapso do próprio Anak Krakatau, que provocou um tsunami em 2018.

Por que a erupção afetou tantos voos?

A erupção afetou tantos voos porque as cinzas vulcânicas alcançaram grandes altitudes e se espalharam por rotas aéreas movimentadas da região. O Aeroporto Internacional Soekarno-Hatta, em Jacarta, foi o primeiro a suspender operações na manhã de domingo, 6 de setembro de 2026, depois que cinzas foram detectadas no espaço aéreo próximo. Em seguida, as autoridades ampliaram a medida para outros cinco aeroportos, conforme os testes indicaram deslocamento da nuvem em direção a Java Ocidental.

Segundo a agência meteorológica da Indonésia, a BMKG, as cinzas chegaram a 6.000 metros, ou 20.000 pés, a leste do vulcão, sobre Java. No lado oeste, em direção a Sumatra, alcançaram 15.000 metros, equivalentes a 50.000 pés. Não é uma poeira inconveniente como a que se varre da varanda: partículas vulcânicas podem comprometer motores, sensores e visibilidade. Por isso, companhias aéreas precisam recalcular rotas, avaliar aeroportos alternativos e aguardar informações meteorológicas antes de retomar operações.

O ministro dos Transportes, Dudy Purwagandhi, informou que 467 voos foram afetados e pediu às companhias aéreas que acelerassem reembolsos e comunicassem com antecedência os passageiros com viagens futuras. A orientação tenta evitar que os aeroportos se transformem em salas de espera gigantes, com milhares de pessoas reunidas diante de painéis que insistem em exibir a palavra “cancelado”. Os impactos atingiram sobretudo voos de e para Singapura, mas também conexões internacionais com Doha, Sydney e Kuala Lumpur.

Quais foram os efeitos para moradores e passageiros?

A erupção também afetou a rotina das comunidades próximas, com cinzas irritando olhos, pele e vias respiratórias, embora não houvesse alerta de tsunami relacionado à atividade recente. O ministro da Saúde recomendou que moradores permanecessem em casa e usassem máscaras. Segundo o jornal local Kompas, escolas suspenderam atividades depois que estudantes e moradores relataram desconforto ocular, enquanto pescadores cancelaram saídas ao mar.

O morador Aldi Candra Prayogi descreveu ao jornal uma sensação semelhante à presença de “pequenos grãos de areia” nos olhos e disse ter usado colírio para aliviar a irritação. A quantidade de poeira, segundo ele, era tão alta que precisava varrer a frente de casa a cada cinco minutos. O detalhe doméstico dá escala ao fenômeno: a erupção não existe apenas nas imagens de uma fonte de lava ao longe; ela entra na casa, interrompe a escola e adia o trabalho.

O vulcão entrou em erupção na noite de sexta-feira, com atividade sísmica contínua, fontes de lava e estrondos ouvidos na região. Duas novas erupções ocorreram no início da manhã de domingo, segundo as autoridades. A sequência ajuda a explicar a cautela operacional. Em situações assim, o problema não termina quando a coluna de cinzas perde força: ventos mudam, partículas permanecem suspensas e a previsão precisa acompanhar o vulcão quase em tempo real.

Qual é a relação do Anak Krakatau com o desastre de 1883?

O Anak Krakatau, cujo nome significa “filhote do Krakatoa”, surgiu no início do século 20 dentro da caldeira formada pela erupção do Monte Krakatoa em 1883. Aquele evento matou mais de 36 mil pessoas e destruiu 165 vilarejos em menos de 48 horas, além de produzir o que é considerado o som mais alto já registrado. O nome carrega, portanto, uma espécie de dívida geológica: cada nova coluna de fumaça é observada à luz de uma catástrofe histórica.

Em dezembro de 2018, o Anak Krakatau entrou em colapso e desencadeou um tsunami que matou mais de 400 pessoas, deixando milhares de desabrigados e feridos nas costas de Sumatra e Java. Pesquisadores estimaram que alguns blocos de rocha deslocados no colapso tinham entre 70 e 90 metros de altura. A erupção atual não veio acompanhada de alerta de tsunami, mas o antecedente explica por que autoridades monitoram com cuidado qualquer mudança no vulcão.

O Anak Krakatau integra o Círculo de Fogo do Pacífico, cadeia de vulcões, terremotos e limites de placas tectônicas que se estende por cerca de 40.000 quilômetros, da extremidade sul da América do Sul à Nova Zelândia. A região concentra aproximadamente 90% dos terremotos do planeta e 75% dos vulcões ativos, segundo os dados apresentados no relatório. A geologia não faz suspense; apenas trabalha em uma escala de tempo que deixa a aviação e os passageiros nervosos.

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