Daniela Tassy interpreta Emília Soares, líder dos astronautas brasileiros em uma missão à Lua, no filme chinês “Terra à Deriva 2”. A personagem integra uma equipe internacional reunida para enfrentar uma ameaça de escala planetária. É uma participação brasileira dentro de uma ficção científica chinesa de orçamento vistoso, missões espaciais e problemas grandes o bastante para deixar qualquer reunião de condomínio parecendo modesta.
Quem é Daniela Tassy?
Daniela Tassy nasceu em Andradina, no interior de São Paulo, e vive na China há 11 anos, onde construiu uma carreira entre tradução, audiovisual e atuação. Ela chegou ao país para estudar mandarim depois de se formar em Tradução e já falar inglês e espanhol. Passou dois anos em Nanjing, trabalhou como tradutora de jogadores de futebol em Xangai e, aos poucos, encontrou o mercado audiovisual chinês.
O desejo de atuar vinha da adolescência, quase da infância, mas havia sido deixado de lado enquanto Daniela seguia a profissão de tradutora. Seus primeiros trabalhos na China foram pequenos papéis em séries, filmes e comerciais. Ela também participou de um workshop de atuação para câmeras e trabalhou em funções como produção, maquiagem, iluminação e direção. Essa circulação pelos bastidores ajudou a transformar uma vontade antiga em ofício concreto, sem o atalho confortável da fantasia biográfica.
Como Daniela conseguiu o papel de astronauta?
Daniela conseguiu o papel de Emília Soares depois de fazer um teste inicialmente destinado a uma repórter que falasse português ou espanhol. A avaliação ocorreu em casa, durante as restrições da pandemia, enquanto as filmagens começavam em 2022.
O contato veio por meio de um amigo brasileiro, o ator Sérgio, que soube da busca por uma intérprete lusófona ou hispanófona. A produção, porém, decidiu avaliá-la para uma personagem maior. Emília é mãe, astronauta e comandante dos brasileiros enviados à Lua, responsável por decisões que atingem sua equipe e o destino da humanidade. Daniela fala português nas cenas, enquanto a própria ficção explica a comunicação entre os personagens com uma tecnologia de tradução simultânea. O uniforme ainda acrescenta uma camada simbólica: a bandeira brasileira costurada no traje não é mero adereço de figurino.
O que Terra à Deriva 2 acrescenta à franquia?
“Terra à Deriva 2” funciona como uma porta de entrada porque sua história acontece antes do filme lançado em 2019, apesar do número no título. O longa, portanto, não exige conhecimento prévio da produção anterior, disponível na Netflix.
A franquia parte da obra do escritor chinês Liu Cixin (mesmo autor do Enigma dos Três Corpos, que é série na Netflix) e aposta em uma ficção científica de escala monumental, com diferentes núcleos narrativos, missões espaciais e conflitos internacionais. O segundo filme combina efeitos visuais, engenharia imaginada e a necessidade de cooperação entre países diante de uma ameaça comum. É o tipo de premissa que a ficção científica conhece bem: quando o problema fica grande demais, fronteira vira detalhe administrativo. Para Daniela, esse é o trabalho mais importante de sua trajetória como atriz até agora. Ela também atuou em séries chinesas, incluindo “Love Heals”, em que interpretou a diretora de um hospital chinês instalado em um país africano.
O que Daniela faz além do cinema?
Além de atuar, Daniela criou uma agência de turismo voltada também a brasileiros interessados em conhecer a China. A empresa nasceu de uma experiência acumulada em mais de uma década de vida cotidiana no país.
Daniela afirma que explicar a China para quem nunca esteve lá tem limites: há aspectos que só aparecem na experiência direta, longe das descrições feitas à distância. A mudança de país permitiu que ela desenvolvesse uma carreira artística, abrisse um negócio e recuperasse o desejo de atuar que havia interrompido ao escolher a tradução. Por enquanto, não planeja retornar definitivamente ao Brasil. Ao comentar a permanência, brincou que ficará “enquanto o tio Xi deixar”, em referência ao presidente chinês Xi Jinping. Emília Soares, por sua vez, já encontrou uma maneira mais cinematográfica de representar o Brasil: liderando uma missão lunar.


