Conheça Clay, a aposta de animação mais incomum da Disney para 2028

A Disney prepara Clay, seu 67º longa-metragem de animação, para novembro de 2028. A promessa é uma aventura original em computação gráfica com aparência de massinha real, bem distante do acabamento tridimensional mais reconhecível do estúdio. A história acompanha Flip, um mentor relutante, e Mushy, uma pequena bola de argila em uma floresta encantada. A ideia parece simples, mas carrega uma provocação interessante: e se o guia sábio das fábulas fosse justamente a pessoa menos preparada para ensinar alguém?

O que já se sabe sobre a história de Clay?

Clay acompanha Flip, interpretado por Kieran Culkin, depois que ele é escolhido para orientar Mushy em uma floresta encantada. O problema é que Flip não tem vocação para o papel. Em vez do mentor infalível, paciente e dono de todas as respostas, a Disney pretende colocar no centro um sujeito desajeitado, resistente à responsabilidade e aparentemente incapaz de conduzir a própria aventura.

Segundo Jared Bush, diretor de criação da Disney Animation Studios, o filme quer inverter uma tradição antiga das histórias de aventura: a figura do mestre forte e sábio que aparece para organizar a vida do protagonista. Aqui, o mentor também está perdido. A premissa abre espaço para uma jornada caótica e transformadora, na qual ensinar Mushy talvez seja apenas o método torto encontrado por Flip para aprender alguma coisa.

Como a Disney pretende fazer a animação parecer massinha?

A animação será feita em computação gráfica, mas o desenho visual buscará reproduzir a aparência e a textura da animação tradicional com massinha. Essa escolha coloca Clay entre a eficiência digital e a imperfeição material que costuma dar personalidade ao stop-motion.

A arte conceitual divulgada para Flip e Mushy recebeu comparações com Rayman, especialmente pelo formato dos personagens e pelo aspecto mais solto do desenho. A comparação ajuda a localizar a impressão inicial, mas não resolve a dúvida principal: quanto dessa liberdade gráfica sobreviverá quando os modelos forem convertidos em 3D? O conceito pode ser expressivo no papel e perder parte do encanto na renderização. Ou não. Por enquanto, há promessa suficiente para manter a curiosidade em pé.

Clay será realmente diferente dos filmes recentes da Disney?

Clay parece uma tentativa concreta de afastar a Disney de sua aparência 3D mais previsível, embora não represente um retorno integral à animação em massinha. O estúdio preserva a infraestrutura digital e tenta alterar a superfície, a luz e o movimento.

Essa distinção importa porque a novidade não está apenas em apresentar uma bola de argila como personagem. Mushy também escapa, ao menos em tese, da acusação de que muitos personagens modernos da Disney compartilham rostos e expressões semelhantes. A proposta, porém, não está livre de riscos. Parte do público já questiona se a produção não seria mais ousada com uma parceria de stop-motion, como uma colaboração com a Aardman. A comparação é tentadora, mas seria injusto cobrar de Clay um filme que ele nunca prometeu ser.

Quando Clay chega aos cinemas?

A Disney programou Clay para novembro de 2028, e os detalhes disponíveis ainda são preliminares. O projeto será dirigido por Fawn Veerasunthorn, ligada a Frozen, Moana e Zootopia, além de ter dirigido Wish com Chris Buck.

O caminho até a estreia será acompanhado por novas artes, imagens e materiais de divulgação, justamente porque o visual representa a principal aposta do longa. Existe ainda uma curiosidade lateral: o nome lembra Clay, o mascote amarelo associado ao bloco Playhouse Disney no começo dos anos 2000. Nada indica que sejam o mesmo personagem. Por enquanto, Clay interessa menos por nostalgia do que pela possibilidade de a Disney descobrir que uma boa história também pode nascer de uma pequena massa disforme, desde que alguém lhe dê movimento.

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