Carros elétricos são silenciosos por construção, sobretudo quando circulam devagar, mas alguns emitem um som artificial para proteger quem está fora do veículo. O ruído não indica defeito, falha mecânica ou alguma excentricidade de marca. Ele integra um sistema de segurança chamado Acoustic Vehicle Alerting System, ou AVAS, criado para tornar perceptível a aproximação do automóvel em situações nas quais o ouvido ainda funciona como sensor de trânsito.
Por que carros elétricos fazem barulho em baixa velocidade?
Carros elétricos fazem barulho em baixa velocidade para alertar pedestres, ciclistas e pessoas com deficiência visual sobre sua aproximação silenciosa. Em um modelo a combustão, motor, escapamento e transmissão produzem uma camada sonora constante. Mesmo sem olhar para a rua, uma pessoa frequentemente percebe que há um veículo chegando. No elétrico, essa pista desaparece justamente em manobras, estacionamentos e vias urbanas, onde carros e pessoas dividem espaços apertados.
O AVAS usa alto-falantes instalados na parte externa do veículo para emitir um som contínuo em velocidades reduzidas. O limite costuma ficar em torno de 20 km/h ou 30 km/h, conforme a regulamentação do mercado em que o carro foi homologado. A finalidade não é reproduzir fielmente um motor, mas oferecer uma assinatura sonora reconhecível, capaz de anunciar presença sem transformar a rua numa oficina mecânica a céu aberto.
Como o AVAS virou uma exigência de segurança?
O AVAS ganhou espaço regulatório porque estudos associaram o menor ruído de elétricos e híbridos a riscos maiores para pedestres em baixas velocidades. A National Highway Traffic Safety Administration, dos Estados Unidos, investigou acidentes envolvendo esses veículos em manobras e deslocamentos lentos. A lógica é simples: quando a aproximação deixa de ser audível, o pedestre perde alguns segundos de percepção — e, no trânsito, segundos são uma unidade de medida bastante antipática.
A Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa, a UNECE, estabeleceu requisitos técnicos para o sistema no Regulamento nº 138. A norma passou a servir de referência para fabricantes e mercados diferentes, embora os detalhes de aplicação variem. No Brasil, segundo as informações disponíveis, ainda não há uma exigência específica válida para todos os modelos, mas muitos veículos vendidos aqui seguem padrões internacionais por serem projetos globais.
O motorista pode desligar o som do carro elétrico?
O som varia entre fabricantes porque cada marca cria uma identidade sonora própria dentro dos limites técnicos de frequência e intensidade. Alguns modelos usam um zumbido eletrônico discreto; outros recorrem a sons que lembram turbinas ou sintetizadores. A escolha transforma uma obrigação de segurança em parte da experiência do produto, como aconteceu com os sons de inicialização de computadores e celulares: primeiro parecem detalhe, depois tornam-se assinatura.
Em determinados veículos, o motorista consegue desativar o AVAS temporariamente, normalmente para situações específicas, como circulação em propriedade privada. Em carros homologados sob normas internacionais mais recentes, porém, o sistema volta a funcionar automaticamente quando o veículo é ligado. A regra preserva a finalidade principal: garantir que o silêncio elétrico não retire dos pedestres e ciclistas uma informação básica sobre o trânsito ao redor. O barulho, nesse caso, não é ruído sobrando. É aviso.


