Disney resgata Oswald em uma nova série 2D para assistir em 2027

A Disney vai devolver Oswald the Lucky Rabbit ao centro do palco em uma minissérie de três episódios, com animação 2D desenhada à mão, cenas em live-action e estreia prevista para fevereiro de 2027 no Disney+. É um retorno calculado às raízes do estúdio, mas também uma tentativa de transformar memória corporativa em entretenimento. O coelho veio antes de Mickey Mouse. A história, como quase sempre em Hollywood, envolve contrato, disputa de direitos e uma substituição que acabou criando um império.

Quem é Oswald, o coelho que veio antes do camundongo Mickey?

Oswald foi o primeiro personagem recorrente de destaque criado por Walt Disney e Ub Iwerks, aparecendo em 26 curtas entre 1927 e 1928. O personagem, porém, pertencia legalmente à Universal Pictures, enquanto a distribuição estava ligada à produtora de Charles Mintz. Uma disputa contratual levou Mintz a contratar parte dos animadores de Disney e assumir o controle de Oswald. Sem o coelho, Disney criou Mickey Mouse como substituto. A cultura pop gosta de chamar isso de destino; o departamento jurídico provavelmente prefere chamar de precedente.

Depois da mudança, Oswald participou de mais de 150 desenhos produzidos para a Universal, mas perdeu espaço e caiu na obscuridade depois do início dos anos 1940. A Disney comprou os direitos do personagem em 2006, fechando um círculo que havia começado quase oito décadas antes. Oswald passou a reaparecer em animações curtas, incluindo uma produção comemorativa dos 100 anos da Disney, e dividiu a tela com Mickey pela primeira vez no jogo Epic Mickey, lançado em 2010.

Como será a nova série de Oswald no Disney+?

A nova produção terá três partes e será escrita, dirigida e produzida por Jon Favreau. O cineasta dirigiu Elf, O Rei Leão e O Livro da Selva, além de trabalhar em The Mandalorian e Grogu. O elenco anunciado inclui Amy Sedaris, Kathryn Hahn, Steve Martin, Al Madrigal, Ravi Cabot-Conyers, Ryder Allen e Mykal-Michelle Harris, conhecida por dublar Blaze em Toy Story 5.

A parte visual é o principal chamariz. A série combinará animação 2D tradicional com cenários e personagens em live-action, numa fórmula que remete a Uma Cilada para Roger Rabbit. A animação ficará a cargo de veteranos da Disney e de estúdios internacionais, entre eles a SPA Studios, responsável por Klaus. As locações reais incluirão a Disneyland e o escritório da Disney em Burbank. Não é apenas uma volta ao desenho antigo: é uma colisão deliberada entre o arquivo e o parque temático.

O retorno de Oswald representa uma volta à animação 2D?

Oswald atende à nostalgia de espectadores que sentem falta da animação 2D desde que a Disney priorizou o 3D no começo dos anos 2000, mas a proposta não anuncia uma mudança completa de estratégia. O formato híbrido sugere uma série sobre a própria história do estúdio, talvez uma metanarrativa em que Oswald atravesse os bastidores da Disney e encontre o mundo que ajudou a inaugurar.

Essa escolha é mais interessante do que simplesmente produzir novos curtas em estilo retrô. Um personagem quase apagado pela própria genealogia pode funcionar como testemunha de uma indústria que troca técnicas, donos e mascotes, mas conserva o apetite por franquias. A diferença estará na execução: nostalgia sozinha é vitrine; uma boa história precisa dar ao coelho algo para fazer além de provar que existia antes de Mickey.

A estreia está marcada para fevereiro de 2027 no Disney+. Até lá, a série permanece como promessa visual e histórica: Oswald retorna à empresa que o perdeu, ao lado da linguagem que ajudou a definir. Se a Disney acertar o tom, a volta não será apenas uma visita ao passado, mas uma maneira razoavelmente esperta de perguntar quem ainda pertence a ele.

Via

spot_img