A BYD apresentou um recurso inédito para o esportivo Denza Z: o carro executa drifts de forma autônoma, sem que o motorista toque no volante ou nos pedais. Para iniciar a manobra, basta desenhar na tela central o trajeto desejado, como um círculo ou um oito. O sistema interpreta esse desenho e tenta reproduzi-lo com o veículo em movimento. A proposta parece saída de um fliperama dos anos 1990, mas é, na prática, uma demonstração bastante concreta de controle eletrônico sobre potência, aderência e direção.
Como o Denza Z consegue fazer drift sozinho?
O Denza Z consegue executar drifts autônomos porque seus sistemas elétricos controlam independentemente as rodas traseiras e o esterçamento do eixo traseiro. Segundo a BYD, a plataforma esportiva e³ usa três motores elétricos para provocar e controlar continuamente a perda de aderência dos pneus. O carro não apenas inicia a derrapagem: também ajusta o comportamento do conjunto para manter o percurso indicado na tela. É a velha arte de fazer o pneu reclamar, agora administrada por software, sensores e atuadores em vez de mãos rápidas no volante.
O recurso está disponível de fábrica nas versões do Denza Z equipadas com a plataforma e³. A linha é oferecida em quatro configurações de carroceria: cupê, conversível com capota de lona, perua esportiva e sedã. A versão mais potente entrega 1.582 cavalos, equivalentes a 1.604 cv métricos, e acelera de 0 a 97 km/h em 1,96 segundo. Com esse desempenho, a BYD classifica o modelo entre os hipercarros e o apresenta como o veículo mais rápido já produzido pela empresa.
O carro desvia de obstáculos durante o drift?
O modo de drift acompanha aderência, deslizamento e inclinação da carroceria, mas não identifica nem evita obstáculos durante a trajetória programada. Depois que o motorista desenha o caminho, o software segue aquela referência sem assumir a função de um sistema geral de condução autônoma. Se houver algo no percurso, a tecnologia não promete improvisar uma rota alternativa. A distinção é menos glamorosa que o vídeo de um carro desenhando um oito, porém muito mais importante para entender o que o recurso realmente faz.
Durante a execução, a orientação da BYD é manter as mãos fora do volante e os pés longe dos pedais, porque o controle da manobra fica inteiramente com o sistema eletrônico. A mesma orientação também delimita o ambiente de uso: a fabricante recomenda pistas ou áreas fechadas, onde o trajeto possa ser controlado e não haja circulação inesperada. Na rua, um círculo perfeito rapidamente deixa de ser demonstração tecnológica e vira uma ocorrência policial com danos materiais. A física continua sem senso de humor.
A tecnologia serve apenas para fazer manobras esportivas?
A tecnologia foi apresentada como recurso esportivo, mas a BYD afirma que seus algoritmos também corrigem derrapagens inesperadas em alta velocidade. Durante a manobra, o sistema monitora a aderência do piso, o ângulo de deslizamento dos pneus e a inclinação da carroceria. Esses dados permitem ajustar o comportamento do veículo para mantê-lo equilibrado. A ideia é aproveitar o mesmo domínio eletrônico usado para produzir uma perda intencional de aderência na correção de uma perda involuntária, quando o motorista talvez não tenha tempo suficiente para reagir.
Esse argumento muda o lugar da novidade na história do automóvel. O drift autônomo é a parte que rende vídeo, manchete e conversa de estacionamento; o controle preciso da instabilidade é a parte que pode ter utilidade cotidiana. Ainda assim, a própria limitação sobre obstáculos impede tratar o recurso como direção autônoma completa. O Denza Z apenas executa uma trajetória desenhada pelo usuário, dentro de condições adequadas e em ambiente fechado. A BYD não eliminou o risco da manobra; automatizou sua coreografia e transferiu para o software uma tarefa que antes dependia de habilidade humana.


