Quando um carro é mais caro que uma nave que pousou na lua

A comparação curiosa entre o preço do automóvel mais caro já vendido e o orçamento da Chandrayaan-3

O lançamento bem-sucedido da Chandrayaan-3, a terceira missão lunar da Índia, chamou a atenção do mundo para o fato de que ela foi concretizada com um orçamento relativamente modesto de 615 crores de rúpias indianas, o equivalente a US$ 75 milhões. É uma quantia impressionantemente baixa para uma missão espacial de tal complexidade tecnológica. Porém, curiosamente, esse valor é menos da metade do preço recorde pago recentemente num leilão pelo automóvel mais caro do mundo: o Mercedes-Benz 300 SLR Uhlenhaut de 1955, negociado por 135 milhões de euros, ou cerca de US$ 142 milhões.

O valor de venda estratosférico desse carro clássico chama a atenção para uma questão interessante. Quando, afinal, o preço de um objeto o transforma em algo que transcende seu valor material e adquire status de obra de arte? No caso desse Mercedes-Benz, seu valor simbólico é inegável. Trata-se de um exemplar único, projetado pelo lendário engenheiro Rudolf Uhlenhaut como a versão legalizada para estrada do famoso carro de corrida W 196 R da Mercedes. É uma peça que resume toda uma época dourada da história do automobilismo.

Por outro lado, para a Índia, a Chandrayaan-3 tem um valor simbólico igualmente grande. Representa anos de esforço e superação de um país historicamente pouco desenvolvido tecnologicamente para ingressar no seleto clube de nações capazes de pousar naves em outro corpo celeste. Mais que isso, foi a primeira nave a pousar no Pólo Sul da Lua, algo que Rússia e Japão falharam em suas tentativas. Ambos, portanto, carro e nave espacial, são muito mais do que a soma de seus componentes físicos. Incorporam sonhos, ambições e uma miríade de horas de engenhosidade humana.

E quanto a Interstellar, o épico filme de ficção científica dirigido por Christopher Nolan? Seu orçamento de US$ 165 milhões, o dobro da Chandrayaan-3, foi empregado na recriação imagética de viagens interestelares e exploração de buracos de minhoca. Para o cinema, esse é um investimento plenamente justificado na busca de suscitar a imaginação do público. Afinal, a Sétima Arte também é feita de sonhos.

Sonhos diferentes, propósitos distintos, valores igualmente subjetivos. Não há uma resposta definitiva para quando o preço de algo ultrapassa o limite do razoável. A beleza, como diz o ditado, está nos olhos de quem vê. E o que importa, no final das contas, é que humanos continuem sonhando alto e buscando concretizar suas mais ousadas aspirações, seja através de bolas de aço em pistas, sondas no espaço ou emoções na tela de cinema. Porque é desses sonhos feitos realidade que o progresso é construído.

Com informações de: 1, 2, 3

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