por Isaque Criscuolo


No último dia 11 de março, na cidade de Winnenden, Alemanha, o jovem Tim Kretschmer, 17 anos, foi autor de um massacre na escola onde estudava. Os motivos para o crime ainda são incertos e pouco se sabe sobre o fim trágico do garoto. Após matar nove alunos, oito do sexo feminino, e três professoras, Kretschmer fugiu, atirou em outra pessoa e sequestrou um carro, obrigando o motorista a dirigir até a cidade de Wendlingen, onde atirou em dois homens e feriu policiais gravemente.

Após o ocorrido, de acordo com informações da polícia alemã, o garoto suicidou-se. Perguntei-me o motivo que levou Kretschmer a cometer tamanha barbárie. Cheguei a uma conclusão de que podem ter sido diversos fatores. Vizinhos relatam que o comportamento do garoto era estranho e recluso, outros dizem que Kretschmer era alvo de brincadeiras e risadas. Estes fatos podem ter contribuído para a inconseqüente ação do jovem, mas e a família, sabia do que acontecia?
O pai do garoto participava de um clube de armas e possuía algumas delas em casa, o que acabou facilitando o acesso e planejamento do crime.

Jamais irei defender a atitude de Kretschmer, mas devemos enxergar que além de um garoto problemático ele era um ser humano, um adolescente aterrorizado com o mundo externo, com os preconceitos. Ele se aprisionava dentro de si mesmo, e nessa solidão macabra acabou tomando decisões precipitadas e dolorosas. Sabe-se que a namorada de Kretschmer terminou o namoro existente entre eles e isso explicaria o fato do garoto ter matado mais mulheres do que homens. A mídia adora noticiar desgraças internacionais e julgar antes de averiguar os fatos. Alguns jornais dizem que o garoto suicidou-se, outros que foi morto… Em quem acreditar? Acredito que ele foi morto por policiais.

Se olharmos para o passado, veremos que outros tantos garotos tomaram atitudes equivalentes a de Kretschmer, e todos tinham em comum um desejo ardente de ser visto, de entrar para a história, de ser reconhecido. Kretschmer anunciou na internet que cometeria tais atrocidades e essa é uma amostra da necessidade de reconhecimento que possuía. Talvez fosse só carinho, atenção, respeito e consideração que aqueles garotos precisassem. Nada justifica a atitudes de Kretschmer e de outros tantos garotos, mas também nada justifica a ação julgadora da mídia e de todos nós. Esses acontecimentos podem servir de alerta para que nossa sociedade passe a olhar também para os excluídos, incompreendidos e que possa ver o quanto destruidor é nosso sistema social para pobres criaturas invisíveis e agressivas como Kretschmer.

Mais uma vez outra tragédia entra para a história e o dia 11 de março de 2009 será lembrado como uma data triste para muitos familiares.