Para o coordenador do curso de medicina da UFBA (Universidade Federal da Bahia), Antônio Dantas, 69, o baixo rendimento dos alunos da faculdade no Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) se deve ao “baixo QI [quociente de inteligência] dos baianos“.
Bairrismo é a defesa exacerbada das alegadas virtudes de um bairro, ou, por analogia, da terra natal de alguém. O termo quase sempre possui uma conotação negativa, pois ao bairrismo está vinculada uma visão estreita de mundo que menospreza tudo aquilo que vem de fora. No Brasil, o fenômeno é identificado desde meados do século XIX, envolvendo políticos que pretendiam se alçar a condição de estadistas, elevando-se acima dos meros interesses regionais.[1]
Ele exagerou, mas certamente existem alguns pontos a serem ressaltados e outros condenáveis em sua declaração, onde ele tirou literalmente o seu “time” de campo. Brilhantemente, a jornalista Malu Fontes, da Rádio Metrópole, falou que o professor não tem dados precisos sobre a quantidade de alunos que participaram da prova, (sempre há muitos que boicotam) e que podem ter baixado a nota. E, principalmente, sobre o corpo acadêmico composto por professores e coordenadores que se esquivam da responsabilidade de ensinar.
Ainda acrescento que muitos docentes, do alto dos seus cargos bem pagos com dinheiro do contribuinte de toda a sociedade, inclusive de quem não frequenta as universidades públicas, não fazem muita questão de prestar um bom serviço. Ou seja, a nota baixa é uma responsabilidade conjunta da instituição, e não apenas do alunado. Se o desempenho foi baixo, o coordenador deveria tomar a atitude de reunir o corpo docente e se calar mais, pois eu teria vergonha dos meus alunos e da minha função, caso fosse coordenadora do curso.
Sou baiana, costumo falar mal daqui com frequência, e tenho um verdadeiro horror ao bairrismo que muita gente prega, tanto vindo de pessoas letradas, quanto dos menos escolarizados. Não me orgulho de ser baiana pelas praias, nem pelo sucesso internacional do chatíssimo Carlinhos Brown, e sim por ser ligada a minha história. A classificação dele foi preconceituosa e generalista. Entretanto, as reações beiram o bairrismo e destoam o real propósito da discussão. Para defender o estado, alguns falaram que a Bahia é um paraíso, um lugar onde há pessoas maravilhosas, e etc. Sinceramente, eu moro em um lugar onde o mínimo da estrutura pública não funciona perfeitamente. Muita gente não se manifesta, e além de serem cegos para os problemas da cidade reprisam a ideologia da perfeição, contida na propaganda do governo do estado.
A declaração sobre o berimbau me pareceu divertidíssima, pois boa parte das pessoas daqui que adoram um “batuque” (principalmente pagode), estão mais ligadas a apatia social e política, isso é fato. E se estende a classe média também, que dentro dos seus carros comprados a prestação preferem se aproximar de políticos para angariar cargos públicos, e comprar o abadá de mil reais no carnaval do próximo ano. A classe média escolarizada (Salvador e Brasil) ouve Claudia Leitte cantar que o amor “pirou a cabeça, e o coração” provando que não é somente o Olodum (grupo negro e da periferia) que vive de “batuque” enjoado e pobreza de letras.
Tocar berimbau é muito difícil, eu já tentei e não consegui (rs), e me perguntei se uma corda determina um instrumento ser mais difícil de tocar do que outro. Não sei. Só sei que muitos baianos que conheço preferem sim, ter uma vida medíocre em empregos de baixa qualificação, não gostam de ler, não lêem jornais e revistas e se vestem com o véu da ignorância em nome da harmonia social. Todavia, conheço muita gente inteligente (pobre ou rica) e que faz a diferença. Se bem que cada um tem as suas escolhas na vida, e menosprezar um indivíduo devido ao seu QI é pregar a segregação. Imagine se o mundo fosse somente feito de pessoas de intelecto alto? Seria uma chatice.
P.s. Concordo plenamente com TOM ZÉ, em entrevista ao Terra Maganize. Contudo, não sou tão articulada quanto este grande baiano.
P.s.2: natalino@ufba.br, este é o e-mail do Coordenador do curso, Antônio Natalino
Bairrismo é a defesa exacerbada das alegadas virtudes de um bairro, ou, por analogia, da terra natal de alguém. O termo quase sempre possui uma conotação negativa, pois ao bairrismo está vinculada uma visão estreita de mundo que menospreza tudo aquilo que vem de fora. No Brasil, o fenômeno é identificado desde meados do século XIX, envolvendo políticos que pretendiam se alçar a condição de estadistas, elevando-se acima dos meros interesses regionais.[1]
Ele exagerou, mas certamente existem alguns pontos a serem ressaltados e outros condenáveis em sua declaração, onde ele tirou literalmente o seu “time” de campo. Brilhantemente, a jornalista Malu Fontes, da Rádio Metrópole, falou que o professor não tem dados precisos sobre a quantidade de alunos que participaram da prova, (sempre há muitos que boicotam) e que podem ter baixado a nota. E, principalmente, sobre o corpo acadêmico composto por professores e coordenadores que se esquivam da responsabilidade de ensinar.
Ainda acrescento que muitos docentes, do alto dos seus cargos bem pagos com dinheiro do contribuinte de toda a sociedade, inclusive de quem não frequenta as universidades públicas, não fazem muita questão de prestar um bom serviço. Ou seja, a nota baixa é uma responsabilidade conjunta da instituição, e não apenas do alunado. Se o desempenho foi baixo, o coordenador deveria tomar a atitude de reunir o corpo docente e se calar mais, pois eu teria vergonha dos meus alunos e da minha função, caso fosse coordenadora do curso.
Sou baiana, costumo falar mal daqui com frequência, e tenho um verdadeiro horror ao bairrismo que muita gente prega, tanto vindo de pessoas letradas, quanto dos menos escolarizados. Não me orgulho de ser baiana pelas praias, nem pelo sucesso internacional do chatíssimo Carlinhos Brown, e sim por ser ligada a minha história. A classificação dele foi preconceituosa e generalista. Entretanto, as reações beiram o bairrismo e destoam o real propósito da discussão. Para defender o estado, alguns falaram que a Bahia é um paraíso, um lugar onde há pessoas maravilhosas, e etc. Sinceramente, eu moro em um lugar onde o mínimo da estrutura pública não funciona perfeitamente. Muita gente não se manifesta, e além de serem cegos para os problemas da cidade reprisam a ideologia da perfeição, contida na propaganda do governo do estado.
A declaração sobre o berimbau me pareceu divertidíssima, pois boa parte das pessoas daqui que adoram um “batuque” (principalmente pagode), estão mais ligadas a apatia social e política, isso é fato. E se estende a classe média também, que dentro dos seus carros comprados a prestação preferem se aproximar de políticos para angariar cargos públicos, e comprar o abadá de mil reais no carnaval do próximo ano. A classe média escolarizada (Salvador e Brasil) ouve Claudia Leitte cantar que o amor “pirou a cabeça, e o coração” provando que não é somente o Olodum (grupo negro e da periferia) que vive de “batuque” enjoado e pobreza de letras.
Tocar berimbau é muito difícil, eu já tentei e não consegui (rs), e me perguntei se uma corda determina um instrumento ser mais difícil de tocar do que outro. Não sei. Só sei que muitos baianos que conheço preferem sim, ter uma vida medíocre em empregos de baixa qualificação, não gostam de ler, não lêem jornais e revistas e se vestem com o véu da ignorância em nome da harmonia social. Todavia, conheço muita gente inteligente (pobre ou rica) e que faz a diferença. Se bem que cada um tem as suas escolhas na vida, e menosprezar um indivíduo devido ao seu QI é pregar a segregação. Imagine se o mundo fosse somente feito de pessoas de intelecto alto? Seria uma chatice.
P.s. Concordo plenamente com TOM ZÉ, em entrevista ao Terra Maganize. Contudo, não sou tão articulada quanto este grande baiano.
P.s.2: natalino@ufba.br, este é o e-mail do Coordenador do curso, Antônio Natalino