Também, o japão como bom copiador tem muito da culina'rai chinesa...
Saiu no jornal local daqui de ontem...
http://www.clicrbs.com.br/jornais/zerohora...te=&modovisual=Comércio Exterior
Eles invadiram sua casa
Made in China
LÚCIA RITZEL
Baratos e cada vez mais presentes, da sala de estar à cozinha dos brasileiros, produtos do país asiático ameaçam a indústria nacional, provocando o fechamento de empresas
Não há dados estatísticos precisos sobre o impacto global da concorrência chinesa na produção verde-amarela, inclusive porque a China tem até 2015 para se adequar às regras da Organização Mundial de Comércio (OMC) - o que tornará mais transparente a economia do país. Mas basta o consumidor observar a etiqueta de produtos a seu redor para ter uma idéia do terreno já ocupado.
Outro indicativo é o fato de que, desde outubro do ano passado, quando o governo brasileiro institucionalizou as salvaguardas, 36 segmentos da indústria decidiram ingressar com pedido de proteção contra o avanço dos chineses no mercado consumidor interno, segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Nenhum deles foi implementado até agora.
- Inicialmente, a China estabeleceu que os Estados Unidos e a Europa seriam prioridades. Como precisa mais espaço para crescer, voltou seus interesses para o Brasil - diz o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior (AEB), José Augusto de Castro.
Brasil já compra mais do que vende para os chineses
A quarta potência econômica do planeta alterou a balança comercial com o Brasil. Números de janeiro mostram que, pela primeira vez desde a liberação do câmbio, em 2001, o Brasil comprou mais do que vendeu. As exportações brasileiras para o país cresceram 19,9%, e as importações, 46,9%, informa Castro.
Um dos exemplos do interesse chinês pelo potencial de consumo dos 185 milhões de brasileiros é a ofensiva no setor. Com o acordo fechado com os EUA e a Europa de restrição voluntária das exportações para esses países, firmado em 2005, o governo chinês, que admite uma supercapacidade de produção têxtil, mirou o Brasil.
- Em 2005, nossa produção caiu 2%, depois de ter crescido 8% no ano anterior. E o saldo líquido de empregos foi a geração de 28,8 mil postos, quando em 2004 chegou a 65 mil - afirma o superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel.
O setor de brinquedos, em que os produtos da China dominaram 60% do mercado nacional em 10 anos, resume as dificuldades da indústria nacional em lidar com a força chinesa:
- O brasileiro gosta de produto bom e barato. Não conseguimos fazer isso com as taxas de juros e a carga tributária brasileira, além das exigências de qualidade e segurança - afirma Synésio Batista, da Associação Brasileira de Fabricantes de Brinquedos (Abrinq).
Comércio Exterior
Requinte para driblar a concorrência
GÉSSICA TRINDADE/ Sapiranga
Tigres e dragões já não amedrontam calçadistas como Liberto José Lehnen, de Sapiranga. No principal pólo exportador do segmento, ele e os colegas afrontam a crise com requinte. É o segredo para que indústrias do município, castigadas pela baixa cotação do dólar e a conseqüente perda de competitividade no Exterior, imponham modelos a altos preços, contendo demissões.
- Há dois anos, produzia calçados a US$ 12 por par. Este aqui estou vendendo a US$ 28 - orgulha-se Lehnen, proprietário da Calçados Vale, ostentando um modelo para a grife do guitarrista Carlos Santana.
Sua indústria não escapou dos respingos da crise que afetou as exportações. Conforme a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), 23 milhões de pares deixaram de ser embarcados em 2005, enquanto 13,79 milhões de pares chineses ingressaram no Brasil.
Para não amargar prejuízos, os exportadores precisaram reajustar os preços e acabaram perdendo competitividade especialmente para a China. Lehnen apelou ao corte na mão-de-obra - gerava 1,3 mil empregos em fevereiro passado e hoje mantém 900. De 240 mil pares mensais há um ano, produz 85 mil pares. E os calçados sofisticados representam 80% das encomendas.
- Diferencial é a nossa saída. Pensar que podemos bater a China em preço baixo e escala é uma loucura - ressalta o consultor econômico da Abicalçados nio Klein.
Japão, Leste Europeu e Oriente Médio são hoje alguns dos principais focos de quem produz para exportar. É o caso de Carlos Krasnievicz, sócio-diretor da Pricawi, de Sapiranga, que conseguiu em 2005 dobrar o valor médio de seu calçado. Há um ano, produzia 220 mil pares por mês. Atualmente, 70 mil.
- Se eu não mudasse o produto, fechava a fábrica - conta Pricawi.
Esse redirecionamento foi a salvação das exportações brasileiras do setor em 2005. O faturamento com os embarques, de US$ 1,888 bilhão, bateu o recorde histórico.
Comércio Exterior
Um país que impressiona
Cansado de ouvir as razões sobre a força da expansão da China pelo planeta, o empresário Manolo Canosa Miguez decidiu conferir pessoalmente o que é que os chineses têm. Em outubro de 2005 passou 18 dias visitando o sul do país, região que concentra a produção industrial.
Proprietário da Escovas Fidalga e representante do Sindicato da Indústria de Móveis de Junco e Vime e Vassouras e de Escovas e Pincéis de São Paulo (Simvep), Miguez ficou impressionado com a exuberância e diversidade da produção.
- Visitei a maior feira de exportação da China, que ocupava uma área de 550 mil metros quadrados. Para se ter idéia, o Anhembi, em São Paulo, tem 28 mil metros quadrados. É de ficar horrorizado - relata.
Miguez diz que sua maior surpresa foi constatar que a força do país não está na produtividade e tampouco na exploração da mão-de-obra. Para o empresário, o trunfo chinês está mesmo na quantidade de trabalhadores.
- Eles produzem muito porque tem muita gente. O salário médio dos operários é de US$ 100. Se fizer a conversão, dá R$ 230, mas equivale a R$ 600 porque moradia e alimentação são bancadas pelas empresas. Como a necessidade de mão-de-obra é praticamente infinita, os trabalhadores estão ganhando mais e a escolaridade vem aumentando - afirma.
Ao comparar as condições de produção, Miguez confirmou que os brasileiros têm de suportar uma carga tributária muito mais elevada, pagar mais encargos sociais, além de enfrentar mais burocracia.
Saiba mais
A China mantém o yuan desvalorizado em cerca de 30% em relação ao dólar.
Estimativas são de que o real está valorizado em pelo menos 20% em relação ao dólar.
O juro básico da China varia entre 2% e 3% ao ano (real, descontando-se a inflação). O juro brasileiro é hoje de 17,25% ao ano (cerca de 12% reais)
Os impostos e tributos chineses correspondem a menos de 20% do PIB. No Brasil, a carga tributária é estimada em 37,5% do PIB.
A China e o Brasil exportavam US$ 25 bilhões há 20 anos. Atualmente, as exportações chinesas somam cerca de US$ 850 bilhões. Nos 12 meses fechados em janeiro, as exportações brasileiras foram de US$ 120,13 bilhões.