Segundo o site da agência de notícias inglesa BBC em sua edição de 09/12/10, http://www.bbc.co.uk/news/11957863 , a justiça da Polônia concedeu a um detento, que está cumprindo pena de oito anos por estupro, indenização no valor de € 3 mil (R$ 7 mil), porque a penitenciária se negou a lhe fornecer refeições vegetarianas. O detento, Janusz Jakobski de 45a, alegou ser budista e seguir regras estritas de não comer carne.

Ele recorreu ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, após seus pedidos de receber refeições vegetarianas terem sido repetidamente recusados.

O tribunal decidiu que a sua liberdade religiosa tinha sido violada.

O governo polonês havia argumentado que o vegetarianismo não pode ser considerado um aspecto essencial da prática da religião de Jakobski. O serviço prisional também argumentou que não tinha recursos para lidar com as diferentes necessidades dietéticas dos presos por motivos religiosos.

Existem inúmeras escolas e tradições do budismo e, enquanto muitos budistas optam por não comer carne, alguns grupos da escola Mahayana, exigem que seus seguidores sejam estritamente vegetarianos.

Jakobski alegou que seus repetidos pedidos de refeições vegetarianas tinham sido rejeitados, e que foi obrigado a comer refeições fornecidas pela prisão, pois a direção da penitenciária iria considerar o ato como greve de fome e que por isso ele seria castigado.

O tribunal sediado em Estrasburgo decidiu que o serviço prisional polonês tinha violado o artigo 9 º da Convenção Europeia dos Direitos Humanos.

Mesmo levando em conta que o fornecimento de refeições especiais poderá custar mais, o tribunal concluiu que as autoridades "não tinham um equilíbrio justo entre os interesses penitenciários do Estado e os religiosos de Jakobski".

Um porta-voz do serviço prisional afirmou a imprensa, que anteriormente Jakobski tinha afirmado ser um fervoroso católico e exigiu ter um crucifixo em sua cela.

Segundo o capitão Artur Bojanowicz, porta-voz da prisão, "Nós não acreditamos que ele seja sincero e imaginamos que suas demandas estejam relacionadas ao desejo de irritar os serviços prisionais e a nossa justiça".