Moribeca, segundo diz a lenda, era sobrinho de Diogo Alvarez Corrêa, o Caramuru. A história fala-nos da união de Caramuru e Catarina Paraguaçu, formando a parelha representante da união dos povos e, portanto, da formação do povo brasileiro.

Vivendo entre os índios, Moribeca desposou a irmã de Paraguaçu e diz-se, encontrou entre eles referências sobre Minas de Prata, ouro e pedras preciosas, tornando-se rico. Conta-se que suas jóias ficaram famosas na Europa, em suas cortes. Conta-se que Moribeca foi aprisionado pela coroa portuguesa por se negar a fazer revelações a respeito de minas de ouro na Bahia.

Um documento sobre estas minas, conhecido como documento 512, apareceu no ano de 1839, relatando a viagem de bandeirantes, no ano de 1753, liderados por João Silva Guimarães.

Logo os historiadores estabeleceram uma ligação entre o assunto do documento e a saga de Moribeca e muitos exploradores (entre eles o Coronel Fawcett) decidiram adentrar os sertões brasileiros em busca de uma cidade perdida e das Minas, que estariam sob o paralelo 12, entre os estados de Mato Grosso e Bahia.

Consultando o acervo digital da Biblioteca Nacional, encontrei o documento em questão. Tal documento tem caráter expedicionário, e consiste em um relato da maior fábula arqueológica nacional, sendo um dos mais famosos documentos da Biblioteca Nacional. O acesso ao relato original é extremamente restrito atualmente, embora uma versão digitalizada dele tenha sido disponibilizada recentemente. No catálogo do museu consta o seguinte:

Título: Relação histórica de uma oculta e grande povoação antiquíssima sem moradores, que se descobriu no ano de 1753. Na América [...] nos interiores [...] contiguos aos [...] mestre de campo e sua comitiva, havendo dez anos, que viajava pelos sertões, a ver se descobria as decantadas minas de prata do grande descobridor Moribeca, que por culpa de um governador se não fizeram patentes, pois queria uzurpar-lhe esta glória, e o teve preso na Bahia até morrer, e ficaram por descobrir. Veio esta notícia ao Rio de Janeiro no princípio do ano de 1754.

Assunto: Cidades extintas; Minas e mineração; Goiás (GO) - Descobertas e explorações; Bahia.

O famoso documento 512, que aguçou a curiosidade de muitos aventureiros, que embrenharam-se pelos sertões do Brasil. Diz o título acima: Relação histórica de uma occulta e grande povoação antiquissima sem moradores, que se descobriu no anno de 1753

Aqui o documento 512 integral sob o código mss_01_4_001, tendo como fonte a o acervo digital da Biblioteca Nacional - Rio de Janeiro.

Em um contexto de busca da identidade nacional, e valoração dos atributos brasileiros, o documento ganhou um destaque e um enfoque cada vez maiores ao longo dos anos, tanto por parte de aventureiros, como intelectuais, religiosos, e até do próprio imperador Dom Pedro II.

O tão investigado relato que faz o documento, e que foi motivo de sua relevância ao longo da história defendido arduamente por muitos, contestado calorosamente por outros, e obsessivamente buscado por alguns: o documento 512 traz o relato do encontro de alguns bandeirantes com as ruínas de uma cidade perdida, uma civilização arruinada em meio à selva brasileira com indícios de desenvolvimento cognitivo, além de riquezas, e um fim desconhecidos.

O aspecto da cidade narrada no documento 512 mescla caracteres semelhantes aos de civilizações antigas, porém traz ainda outros elementos inidentificados ou sem associação; o cronista observa que todas as casas do local semelhavam à apenas uma, por vezes ligadas entre si em uma construção simétrica e uníssona.



O único objeto mencionado pela expedição de bandeirantes, que foi encontrado ao acaso, e descrito cuidadosamente na carta consiste em uma grande moeda confeccionada em ouro. Tal objeto, de existência e destino incógnitos, trazia emblemas em sua superfície: cravados na peça havia em uma face o desenho de um rapaz ajoelhado, e no reverso combinados permaneciam as imagens de um arco, uma coroa, e uma flecha.

traz ainda a seguinte descrição dessa moeda: Rene Chabbert, who studied Colonel Fawcett's city for years, claims there is only one gold coin that fits this description - the gold Daric. The gold Daric depicts King Darius of Persia (521-486 BC) as an archer kneeling with a bow, quiver and spear.

Agora, pergunto: quem se habilita aí a pesquisar qual a relação existente entre uma moeda da antiga persa e o Brasil pré-cabralino? O que existe escrito a respeito disso?

Para finalizar, reprodução de um trecho do Manuscrito 512:

(...) collumna de pedra preta de grandeza extraordinaria, e sobre ella huma Estatua de homem ordinario, com huma mao na ilharga esquerda, e o braço direito estendido, mostrando com o dedo index ao Polo do Norte; em cada canto da dita Praça está uma Agulha, a imitação das que uzavão os Romanos, mas algumas já maltratados, e partidos como feridas de alguns raios. (...)


Fontes:

Revista Trimensal of the Instituto Historico e Geographico Brasileiro Rio de JanerioJuly 21, 1865, reproduzida parcialmente em: www.rickrichards.com/ ac/ac3e.html

Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro: http://bndigital.bn.br/

Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuscrito_512