Na atual fase de minha vida, em que “entrei de cabeça” por muitos anos no universo acadêmico, envolvido com as coisas da ciência, devo confessar que adquiri uma boa carga de ceticismo e posso dizer que este ceticismo trago comigo ainda, e em elevadas doses... Entretanto, do alto de meu ceticismo atual, tenho que admitir a manifestação da “lei da causalidade”, pois a significação dos fatos ocorridos ultimamente nos indivíduos e na sociedade atual são de uma sincronia tamanha, que não há como creditar estas incríveis concatenações a simples e meros fenômenos estocásticos...

Acabo de ler uma manchete no jornal "O GLOBO", que as chagas da ditadura e do autoritarismo estão abertas novamente no país. Concordo com aqueles que manifestaram-se dizendo que tais documentos devem carregar muitas informações falsas (conseguidas com o preso sob tortura), o que os torna totalmente questionáveis.

Os déspostas da ditadura militar nos fazem lembrar os déspotas do passado, entre os quais destacamos os que promoveram, por exemplo, a opressão e a tirania na frança do século XIII, época em qe a maioria da população, em grande parte do campo, vivia na mais absoluta miséria e descrença.

Se alguns filósofos racionalistas daquele período cunharam o termo "déspota esclarecido", para se referir ao "governante totalitário que usaria o poder absoluto com discernimento, visando ao progresso e ao bem-estar geral", por favor, alguém me explique o que significa isso, pois até hoje não entendi!

Não vejo como um estado autocrático pode promover progresso, se o o que move o mundo são as idéias e elas não estão sujeitas a controle. O bem estar geral não ocorre quando aquilo que reina num agrupamento humano é o medo daquilo que se pensa, fala e pratica. Em situações dessa natureza, a desconfiança anda sempre de mãos dadas com a dúvida, que gera o mal estar, as doenças, etc.

Mas deixemos os conceitos e filosofias um pouco de lado (voltaremos a elas mais tarde) e falemos de eventos. Como dissemos acima, há uma tendência no país em vasculhar os porões de nossa ditadura. A República Federativa do Brasil comemora seu nascimento em 15 de outubro de 1889, exatamente 100 anos após a revolução Francesa, um levante contra a tirania, cerceando justamente a liberdade de consciência, os direitos básicos do homem.

Levantou-se contra esse estado de coisas um certo poder, que sob a égide do LPD (Lilium Pedibus Destruere) auxiliou a acabar com esse período negro na história da França. A casa de Bourbons, detentora secular do poder absoluto caia por terra e, com ela, os privilégios monárquicos, muitos de origem medieval.

E os fatos vão se sucedendo: postei a poucos dias aqui neste blog uma matéria sobre a "geração Y", formada por pessoas (no meu conceito, qualquer pessoa apta; no conceito tradicional, os jovens nascidos na era da informação) que não admitem de forma alguma autoritarismos.
A colunista Rita Loiola transcreveu as idéias de nossos jovens em uma reportagem. Com a palavra, a nossa juventude:

"Chegou a hora dos chefes serem transparentes, alguém que deve ensinar. A geração passada enxergava os superiores como seres para respeitar e obedecer. Não é mais assim".

Mas... além de aprender com os superiores (diz a jornalista), os jovens sabem que também podem ensiná-los, em uma relação horizontal. Os jovens modernos funcionam por meio de redes interpessoais, nas quais todas as peças têm a mesma importância.

"A nova geração mudou a forma como nós interagimos", diz Ana Costa. "O respeito em relação aos superiores ou iguais existe, mas é uma via de duas mãos. Eles só respeitam aqueles que os respeitam, e veem todos em uma situação de igualdade", afirma.
Ora (digo eu) isso é genial! Isso é a efervecência da vida, em transformação para uma sociedade em que as pessoas lutam por um objetivo comum, crescendo juntas, pois o objetivo é a construção através do "nós" (numa bela rede de interatividade) e não o "EU", inflado pelo poder autoritário, que só enxerga o conceito de bem estar comum sob SEU ponto de vista único e exclusivo. Não meus senhores, não é bem assim!

Éssa dualidade apresentada poderá soar meio infantil para muitos, como se todas as coisas pudessem ser resumidas a uma ou outra destas condições expostas. Mas pensemos nos enfoques. Ninguém está pregado a ausência de autoridade. O que deve ser execrado é o autoritarismo, que considero uma degeneração da verdadeira autoridade, que busca crescer JUNTO com seus PARES.

Foi essa visão que levou o Brasil ao período mais negro de sua história. Promoveu o medo, semeou a desconfiança, cerceou a liberdade de pensamento!

Permito-me usar aqui uma frase mui antiga de Camões: "Cessa tudo o que a antiga musa canta, que outro valor mais alto se alevanta". Sim, um novo pensamento ergue-se no interior do verdadeiro ser humano, para proclamar que os valores decadentes que nos ligam ao pesado karma ancestral não mais devem ser vivenciados, não tem mais razão de ser...

Não há mais espaço no mundo de hoje para o controle através do medo e da coerção. Estas atitudes perniciosas não coadunam mais com aqueles que pretendem viver em harmonia com os novos valores deste século XXI. O destino dos déspotas e tiranos será sempre o desprezo e a solidão. Externamente, poderão transparecer a opulência e o bem-estar, mas internamente ver-se-ão corroídos pela incerteza e pelo desassossego intermináveis, gerados pela busca da manutenção do controle.

Nestas idas e vindas entre a história e as reflexões pessoais desconexas, fora também de qualquer regra comum de organização textual, deixo aqui minhas impressões sobre a inexorável mudança de paradigma (do eixo vertical e hierárquico para o eixo horizontal e integrado) por que passa nosso mundo.

Mais uma vez... os ecos de novos valores que trás a nossa juventude, insondáveis aos que se mantiverem com a cabeça voltada ao passado atávico: "O respeito em relação aos superiores ou iguais existe, mas é uma via de duas mãos. Eles (jovens) só respeitam aqueles que os respeitam, e veem todos em uma situação de igualdade". Ana Costa

Realmente, a Lei da Causalidade Existe!