Aprecio música clássica desde muito novo, influenciado por meu pai. Nos finais de semana, logo pela manhã ele acordava, fazia sua higiene pessoal, tomava seu café requentado e, a seguir, deitava-se confortavelmente no sofá, ao que passava a apreciar um concerto de Mozart, ou uma sinfonia de Beethoven ou ainda um concerto de Paganini. Acordávamos ao som de um obstinado violinista, na árdua tarefa de executar uma difícil e ao mesmo tempo maravilhosa cadência do endiabrado compositor italiano.

Quando ficava empolgado com a execução das magistrais cadências, meu pai me dizia: "Paganini... falam que tinha pacto com o Diabo. O que mais se aproxima dele no violino hoje é Salvatore Accardo".


Os estudiosos do músico atribuem esta fama ao seu modo de ser e a sua fisionomia: homem de hábitos incomuns, de aparência esquelética, com rosto fino e olhar penetrante, os cabelos longos ajudavam a criar um ar de mistério e fascínio enquanto feria as cordas de seu violino.

Numa fase de sua vida, entregou-se aos jogos de azar, perdendo boa parte de sua fortuna, tendo que empenhar, por mais de uma vez, seu precioso violino. Escreveu maravilhosos concertos para violino e orquestra e suas cadências (solo do instrumento que antecede, geralmente, a conclusão de um andamento) podem ser consideradas únicas no mundo da música.

A seguir, um exemplo de cadência de Paganini, ao som do grande Salvatore Accardo:

http://www.youtube.com/watch?v=qoODS6ufANs