Como todos os sábados, chega em casa na hora do almoço. Exausto, afinal foram longas e tortuosas provas no turno da manhã. Ansioso pela perspectiva de finalmente integrar-se a um novo mundo muito bem conhecido por ele, naquele momento único semanal, que de tão bom só compreendia 2 dias. Talvez seguindo a lástima de que 'tudo que é bom dura pouco'.
O ruído irritante da placa de modem causa certo desconforto, mas nada seria páreo para detonar sua estima naquele momento. Estava em êxtase.
Enfim, dentro.
Com os olhos petrificados suplicando por uma simples piscadela, seu estado emocional parece se modificar. Sua fisionomia rapidamente toma formas realmente esquisitas. Talvez estivesse pensando na décima questão de geometria que errou. "Vacilei".
Não, não passava nada disso por sua cabeça. Analisando um pouco melhor o que prendia seus olhos, podia-se notar uma área do cristal em que uma seta atropelava freneticamente três dígitos numerais. Parecia a tentar riscar aquele pequeno pedaço de tela. O número? 250.
Como uma prostituta a alternar clientes, sua fisionomia novamente se altera. Os lábios cerram-se, o olhar dispersa-se e algumas rugas de confiança aparecem em seu queixo.
Estava decidido. Na próxima vez que visse o autor da mais faraônica obra do fórum virtual que frequenta, pediria que a ele próprio fosse dedicada obra semelhante.
Desejava poder. Almejava influência. Fazia o típico político, mas com uma certa dosagem de psicodelismo. "Se uma cuia loura conseguiu, por que eu não?"
---
Não sou de recusar pedidos tão carregados de emoção e urgência. Ponderando um pouco as idéias, aceitei a proposta que havia me sido feita. Sou um bom samaritano.
Mas teria que ser algo realmente engenhoso.
Devo confessar que o primeiro trabalho teve uma certa carga de amadorismo de minha parte; mas graças àquilo posso afirmar que hoje estou mais maduro. Entre outros conceitos importantes de mercado, foi importante saber que a cereja do bolo não deve ser consumida já no início da gula, mas previamente controlada; a fim de que se retire o máximo do potencial de uma história.
Antecipo então, desde já, que o melhor ainda está por vir.
Por hora, liberada logo abaixo a rotina, diária.
---
7:25 - Posiciona-se estrategicamente na porta da sala de aula, a fim de que possa cumprimentar qualquer coisa que entre ou saia.
9:05 - Uma sineta dá o sinal do recesso entre as sonolentas aulas do dia. Coisa de 20 minutos. O suficiente para, novamente, se posicionar estrategicamente rente à porta. "Não vou perder um hoje!"
9:25 - Nova sineta. Dessa vez o sinal é de recolher, de volta à sala. Percorre os corredores no sentido contrário do movimento, para se certificar que cumprimentará o maior número de indivíduos.
12:00 - Fim da aula. Na correria generalizada que se transforma todos os pontos do colégio, é nítida em seu rosto a fisionomia de abatimento. Ninguém presta atencão na sua minunciosamente esticada mãozinha. Como de costume, chega mal-humorado em casa. Uma lástima.
15:00 - Netgames. O local é apropriado para seu costume predileto. Sete metros por dois, no máximo. Muita gente amontoada. "Não tem como alguém escapar".
22:00 - Antes de pousar sua cabeça no travesseiro, permanece um bom tempo em posição semi-budista. A figuração já não é mais estranha nem para os camundongos de Botsuana. Os movimentos labiais o denunciam: contabiliza, no conforto de seu leito, seu saldo diário. Um sorriso é imediatamente estampado em sua face, algo que realmente limpa sua aura. "Amanha será um longo dia."
O ruído irritante da placa de modem causa certo desconforto, mas nada seria páreo para detonar sua estima naquele momento. Estava em êxtase.
Enfim, dentro.
Com os olhos petrificados suplicando por uma simples piscadela, seu estado emocional parece se modificar. Sua fisionomia rapidamente toma formas realmente esquisitas. Talvez estivesse pensando na décima questão de geometria que errou. "Vacilei".
Não, não passava nada disso por sua cabeça. Analisando um pouco melhor o que prendia seus olhos, podia-se notar uma área do cristal em que uma seta atropelava freneticamente três dígitos numerais. Parecia a tentar riscar aquele pequeno pedaço de tela. O número? 250.
Como uma prostituta a alternar clientes, sua fisionomia novamente se altera. Os lábios cerram-se, o olhar dispersa-se e algumas rugas de confiança aparecem em seu queixo.
Estava decidido. Na próxima vez que visse o autor da mais faraônica obra do fórum virtual que frequenta, pediria que a ele próprio fosse dedicada obra semelhante.
Desejava poder. Almejava influência. Fazia o típico político, mas com uma certa dosagem de psicodelismo. "Se uma cuia loura conseguiu, por que eu não?"
---
Não sou de recusar pedidos tão carregados de emoção e urgência. Ponderando um pouco as idéias, aceitei a proposta que havia me sido feita. Sou um bom samaritano.
Mas teria que ser algo realmente engenhoso.
Devo confessar que o primeiro trabalho teve uma certa carga de amadorismo de minha parte; mas graças àquilo posso afirmar que hoje estou mais maduro. Entre outros conceitos importantes de mercado, foi importante saber que a cereja do bolo não deve ser consumida já no início da gula, mas previamente controlada; a fim de que se retire o máximo do potencial de uma história.
Antecipo então, desde já, que o melhor ainda está por vir.
Por hora, liberada logo abaixo a rotina, diária.
---
7:25 - Posiciona-se estrategicamente na porta da sala de aula, a fim de que possa cumprimentar qualquer coisa que entre ou saia.
9:05 - Uma sineta dá o sinal do recesso entre as sonolentas aulas do dia. Coisa de 20 minutos. O suficiente para, novamente, se posicionar estrategicamente rente à porta. "Não vou perder um hoje!"
9:25 - Nova sineta. Dessa vez o sinal é de recolher, de volta à sala. Percorre os corredores no sentido contrário do movimento, para se certificar que cumprimentará o maior número de indivíduos.
12:00 - Fim da aula. Na correria generalizada que se transforma todos os pontos do colégio, é nítida em seu rosto a fisionomia de abatimento. Ninguém presta atencão na sua minunciosamente esticada mãozinha. Como de costume, chega mal-humorado em casa. Uma lástima.
15:00 - Netgames. O local é apropriado para seu costume predileto. Sete metros por dois, no máximo. Muita gente amontoada. "Não tem como alguém escapar".
22:00 - Antes de pousar sua cabeça no travesseiro, permanece um bom tempo em posição semi-budista. A figuração já não é mais estranha nem para os camundongos de Botsuana. Os movimentos labiais o denunciam: contabiliza, no conforto de seu leito, seu saldo diário. Um sorriso é imediatamente estampado em sua face, algo que realmente limpa sua aura. "Amanha será um longo dia."