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A Boa Dor Do Amor...
Roberto Carlos C...
post Oct 14 2009, 02:00 PM
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062802drink_prv.gif Ao doer, o amor torna-se uma das poucas coisas realmente insuportáveis na vida. Não conheci osso quebrado, contusão, corte na pele ou arranhão que provocasse tamanho torpor, de dor e de angústia, de medo e insegurança, quanto a dor pela perda do amor, ou quando o machucamos, mesmo que sem querer... “Amar se aprende amando”, disse Drumond - doer se aprende doendo de amor, posso dizer. Resfriam-se todas as partes do corpo, falha a respiração, fica apertado o peito e a garganta fecha-se mesmo que sem qualquer choro contido. Pesam os braços, quedam as olheiras e as pernas imploram-nos para não saírem do canto, quase pedindo, ordenando que retornemos para junto dela(e). Mãos ficam trêmulas, incerto é cada passo que damos, desorientados ficamos, pois, tudo em volta perde sua importância. Não conseguimos dormir sóbrios, os sonhos se agitam e não desejamos o amanhã, nem ao sol e muito menos tocar no assunto. É que a tal dor do amor muda em nós convicções, opiniões, posicionamentos, tirando o chão dos nossos pés, baixando nosso olhar, arrependendo o coração, pedindo uma ajuda que ninguém parece poder dar. E, assim, ficamos mudados olhando os pedaços de amor no chão e outros que se vão com o vento, fugindo ao controle, esvaindo-se, querendo se perder no espaço e no tempo que remediam a dor de amor, quando o perdemos ou machucamos, mesmo sem querer... O alimento não entra, perene é a febre típica da condição do apaixonado, daqueles que já se perderam na vida sua e do seu amor, que eriça todos os pelos ao ponto de implorarmos o banho eterno e calmante do retorno para junto do nosso bem. Nada substitui o prazer dessa dor. Não teremos vivido, suficientemente, sem que doam nossas carnes diante da dor insuportável e desejada, ao ponto de levar-nos ao choro descontrolado do amor – mais de um, talvez -, que, na verdade, sempre foi e será o que nos garante humanos. Dessa forma, doendo como sinto essa dor, apenas porque me sinto poeta, agora, então preciso, urgentemente, despedaçar-me nos braços de alguém que saiba juntar pedaços, para que inteiros, possamos brincar de doer, de amar, de viver...


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Roberto Carlos Costa
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