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O Tempo Na Comunicação
Blog da Comunica...
post Mar 14 2009, 10:49 PM
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por Leandro Alves

Vivemos numa era de comunicação instantânea e veloz: bastam apenas dez minutos e um e-mail nosso chega até a China. Temos uma porção de gente adicionadas no MSN com quem falamos em tempo real, não importando se tal pessoa está num momento de trabalho, estudo, pesquisa. Perdemos a noção do outro, da sua fisionomia, da veracidade de suas emoções e da coerência estabelecida entre suas palavras e atos. Lembro-me de uma música do Gonzaguinha, “Palavras” que diz que em tempo ruim, todo mundo também dá bom dia. Claro, num mundo hostil como o de hoje não se pode fazer da vida um livro aberto! Dou bom dia sim, para qualquer pessoa. A quem perguntar, sempre vou bem obrigado, às vezes ironizo: “O pior é que vou bem”.

Vivemos pressionados pela cultura do ter, por ter grana, ter alguém, ter uma vaga na faculdade, ter, ter e ter. E assim transportamos essa pressa para os relacionamentos, quer seja no campo pessoal ou interpessoal - Se ele não ligar até agora, eu o deixo, ou se ela não vier agora, não precisa mais - queremos tudo pronto, como um fast food. O que quero dizer é que esse afã de ter poder sobre as coisas é um dano letal no relacionamento entre seres humanos. Para quem quer elaborar melhor este conceito recomendo o filme “Dança com Lobos”, protagonizado e dirigido pelo genial Kevin Costner.

Conta a história de um oficial de cavalaria que se destaca como herói na Guerra Civil Americana e, por isto, é lhe dada a chance de escolher o lugar onde quer servir. Ele escolhe um posto longínquo e solitário, na fronteira. Ali estabelece amizade com um um grupo de índios Sioux - Lakota, sacrificando a sua carreira e os laços com o exército estadunidense em favor da sua ligação com este povo, que o adota.

A opção do tenente não é fácil. A adoção dos índios não se dá da noite para o dia. Existe por parte deles um ódio pelos oficiais americanos que buscam o tempo todo tomar suas terras e fazê-los escravos exercendo toda sorte de crueldades sobre aquele povo. O que o tenente queria era conhecer aquele povo, saber como viviam, seus costumes, crenças e valores. A primeira barreira foi a do ódio, depois a do idioma. Aos poucos eles começaram a trocar alimentos, cobertores e a partilhar cumplicidade e sentimentos. Ali passou a existir calor humano, amor, amizade e um forte sentimento de familia. Repito, o que demandou muito tempo.

Sabemos que no Brasil existe uma multiplicidade de raças, crenças, culturas, um número imensurável de pessoas diferentes. Diferentes nos aspecto intelecual, econômico, religioso e o que vejo de parte a parte é uma intolerância mútua. Pessoas que buscam por um perfil ideal de par amoroso na internet, homens e mulheres ciumentos querendo ser o centro da atenção em todo o tempo. Temos medo da solidão, de idéias presas dentro da alma, da ausência do aconchego da pele, mas perdemos o desejo da partilha. Aliás, não temos tempo para a partilha. Na pressa queremos entrar dentro do outro e não permitimos que ele entre em nós. O tempo urge para que a gente aprenda a ouvir, a entender o modo como nosso interlocutor capta nossa mensagem, sua capacidade e disponibilidade de absorção. Muito obrigado!


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