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As Oito Crenças, Uma continuação do post anterior
Cyren Gil-Luin
post Feb 16 2003, 11:33 PM
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:: fearing the pain ::


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“A fé é livre” disse certa vez um pensador entre os homens. E realmente ela é. Muitos dos que se aventuraram a viver, descobriram que o quanto mais lutassem contra si próprios, não poderiam deixar de Ter fé. A fé em algo, é algo primordial, para a vida. Mas para o povo de Destinya, para aqueles que não simplesmente decidiram negar tudo, a fé foi dividida em oito partes. Uma para cada desejo do ser vivente.

Podemos definir uma pessoa pela sua crença. A sua crença determina seus atos, sua vida, seus pensamentos, tudo. Define o que ela é. Os mais observadores dos destinianos sabiam disso, e muito do que venho a apresentar é um relato de uma das mentes mais brilhantes que já houve, o político Lutz de Esper, conhecido por entre outras coisas, a paz entre homens e orks. Mas isso faz cento e cinquenta anos, e mesmo que a fé das pessoas não tenham mudado com o tempo, nem as religiões, a política mudou bastante, o suficiente para novas guerras e estados de ânimo surgirem e desaparecerem.

Pois bem, Lutz escreveu certa vez um relato de como ele via os grandes espíritos e como ele via as religiões da Ilha. Seu relato, a princípio, parece dissertar apenas sobre a crença do povo dos homens, mas um leitor atento será capaz de perceber como os elfos, anões, orcs e até mesmo drow tratam a religião. Não que a religião desses povos tenham pouca importância, mas simplesmente porque ela era mais homogênea. Mas Lutz explica o porquê, e descreve com o olhar de um homem da mente brilhante, todas as crenças dos humanos em Destynia.

“À Kós, o Primeiro, eu peço que ilumine minha mente antes de escrever sobre os outros. Minha intenção, não é de apenas descrever as crenças alheias, mas simplesmente entender porque eles crêem em vós, em todos os Oito, e o porquê, os respeitamos e os seguimos.

Não devo ser prolixo, e demorado, mas tal ensaio precisa de preparo, de uma introdução. Então, serei o mais breve possível. Que vós, o Primeiro, me auxilie, com a bênção do Sol.

Parece que em Esper, existem todas as oito grande crenças. É comum vermos os habitantes em muitas discussões a respeito de qual verdade é superior a outra, pois todos sabemos que as oito são verdadeiras. Até mesmo a de Nyx. Mas parece que a principal crença dos homens e mulheres daqui é em ti, Senhor da Luz, e no Guardião, o Sexto Espírito Kal-El. Apesar de tudo, encontramos entre os guerreiros um grande respeito à Janus, mas creio eu que seja apenas uma desculpa para justificar a guerra e o assassínio. Um sortilégio! O Senhor do Sol sabes o quanto nós que seguimos sua lei condenamos a guerra. E acho que devo falar primeiro, sobre o magnífico Templo do Sol.

O Templo do Sol não é somente um prédio, é toda uma crença. Como seguidores de Kós, acreditamos antes de tudo que uma mente iluminada e um pensamento claro pode trazer razão e luz a esse mundo nefasto. Temos a glória e a bênção de possuírmos junto à nós todos os sábios, pensadores, legisladores, políticos, juízes e homens de bem que desejam antes de tudo a paz. Temos noção de que uma mente iluminada pode fazer, e em virtude disso, sempre promovemos a caridade. Sempre que possível, é claro. Não é verdade do que dizem os outros, que somos arrogantes ou distantes. Estamos sempre presente, e somos seus líderes. Mas sabemos que os outros são infelizes dentro do caos promulgado por Nyx dentro de seus corações. Glória ao Sol, que não somos iguais ao tolos dos seguidores de Kal-El, que só vivem para o que dizem promulgar o bem, o progresso e a virtude. Nós trazemos o progresso, e só a razão pode trazer. Para isso contamos como nossos sacerdotes os homens de bem, os Juízes, que são antes de tudo, pensadores claros que só pretendem trazer o bem ao resto do que fora nossa civilização. Todos eles, claros, são respeitados e temidos, mas entendemos bem que é para a seguridade e a paz de todos. Apesar de sermos considerados apenas uma “minoria rica e elitizada”. Mas isso é apenas obra dos ateístas descrentes, que são decerto, a escória desta cidade.

A segunda grande crença se dedica ao Segundo Grande Espírito, Ys. Os seguidores de Ys, são conhecidos como simplesmente como Seguidores de Ys, mas são reconhecidos como antes de tudo excelentes trabalhadores. Talvez seja porque o Segundo Espírito não tenha descansado jamais enquanto harmoniza e harmonizou sua parte no mundo. Talvez seja porque os Seguidores se Ys levem à ferro sua crença no trabalho sendo o único capaz de harmonizar o mundo. É sabido que os Seguidores de Ys não possuem uma igreja, santuário ou templo como nós acreditando somente no fato do trabalho é o melhor jeito de cumprir a vontade de Ys. Mas parece que gostam de se confraternizar vez ou outra para se auto-parabenizarem e se auto-gabarem de seus serviços e itens bem feitos. É curioso ver como os Seguidores de Ys são extremamente diligentes e apreciam muito o fato de ganhar dinheiro, mas também são calorosos e são sempre dispostos a ajudar os outros cidadões independente de sua crença. Também é curioso o fato de os seguidores de Ys vez ou outra ao explicar o porquê de seu trabalho, pensamento ou ação, citar metaforicamente um ou vários dos quatro elementos. Certa vez, enquanto um ferreiro deles me trabalhava o ferro para fazer uma bela adaga em honra a vós, Senhor do Sol, ele disse: “Moldamos o fruto da Terra pelo fogo. Assim é o trabalho. Moldamos a Vida, pelo fogo que arde em nossos espíritos e em nossas ações, não pela águas de nossos choros e lágrimas.” Tais palavras foram sábias e nunca mais me esquecerei delas. Desde então, passei a respeitar esses crentes no Segundo Espírito, assim como todos os dessa ilha.

São engraçados os Seguidores do Terceiro Espírito. A dita Senhora da Natureza, da Fauna e da Flora possui entre os seus seguidores os mais estranhos de todas as pessoas. São pessoas reclusas, e muitas delas vivem longe da cidade, no meio rural e em sua maioria nas florestas. Delas, pouco posso falar. Parecem que são todas defensoras ferrenha de qualquer agressor de qualquer bicho, animal, fera, árvore ou planta, e muitas delas partem até mesmo para a agressão. É claro, que muitos deles utilizam da natureza para sobreviver, mas todos alegam que ao contrário dos demais, que julgam “destruidores”, só o fazem para isso, exclusiva sobrevivência. Os Gayans, como muitos passaram a se chamar, e com o tempo, nós também, são várias vezes vistos com animais em companhia ou mesmo animais de estimmação, e apesar de serem em geral reclusos, e levarem uma vida em solidão, eles se reúnem vez ou outra no que dizem ser um Santuário, onde segundo espiões e olhadores de minha confiança, não passa de uma clareira na floresta onde acendem uma fogueira e dançam ao redor dela, numa festividade onde no fim se silenciam e cada um passa a ficar em silêncio na busca máxima de sintonia e harmonia com a natureza. Após disso, muitos elegem um líder, um conselheiro máximo entre eles e o entitula druida, e este é bastante respeitados por nós. Os Gayans, dentre todas as crenças, são os mais próximos dos esquisitos elfos, e o Druida é um líder entre ambos crentes de ambos os povos. Mas raramente se há um druida, pois raramente, se há um Santuário.



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- então é de vossa decisão entregar o cargo de Cyren à nossa antiquíssima tradição? Não desejas continuar com o trabalho?

- vós não entendeis? Não é o cansaço que cega a vontade.Tu me enviaste vossos sonhos, mensageiros, deuses, protetores e quem mais. Lutei em vossas guerras silenciosas e sobrevivi ao asceticismo. Agora, sou um novo homem, ainda com feridas abertas, mas jamais morto, e sábio o suficiente para saber que elas fecharão. Julguei que vocês haviam me derrotado. Até perdi a fé mas recuperei a vontade e executei vosso ordenado até o fim. Agora se paro, é por eles. Eles são a luz do mundo, e a luz do mundo é serena e constante. Não entendeis?

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Cyren Gil-Luin
post Feb 16 2003, 11:38 PM
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Do Quarto Espírito, pouco se pode falar, apesar de muito se Ter a dizer. Janus é o Senhor de Duas Faces, e o mais adorado entre os guerreiros e lutadores, apesar de haver adoradores seu em todas as profissões, classes e jeitos. É incrível ver como sua fé se propaga facilmente nesses estúpidos grosseiros e idiotas que pensam tudo resolver com um soco, ou uma espadada. E parece que julgam Janus defender sua ação ao afirmarem que tudo é duplo no mundo, inclusive a guerra e a paz. Ora, parecem somente defender o lado da Destruição, e ignoram o lado da Contrução, que Janus prega do topo de sua montanha. Mas nem todos os dualistas, que como são chamados os seguidores de Janus, pensam assim. Muitos deles são pacíficos e crêem exclusivamente que como resposta para tudo no mundo, há sempre uma contra-resposta, para cada ação, uma ação. Que o bem não sem o mal, que a guerra não há sem a paz. Mas muitos deles participam em combates se acharem que é nescessário, apesar de só o fazerem quando julgam extremamente necessário. Mas assim são os dualistas, crêem que tudo é duplo no universo e assim o fazem como se fossem. Quando dizem que farão algo, dirão sempre que há uma reação contrária. À exceção dos brutos, que trazem somente a destruição e não dizem nada. Desses ignorantes, temos horror e queremos distância, mas respeitamos todos os dualistas, que antes de tudo, crêem em nenhum outro aspecto dos Oito, e que não possuem uma igreja e nem sequer são unidos. Eles não possuem igreja, mas são honrados, e de certa forma e os respeito. Mas quando se reúnem, parecem gostar de mostrar um aos outros coisas e ações que demonstram dualidades. Alguns lutam, outros declamam versos, outros mesmo se dedicam as relações de interação homem/mulher e quando fazem isso, normalmente o fazem ou numa casa ou debaixo de uma montanha, para honrar o seu senhor. Carregam como símbolo uma águia, e houve muitos deles que demonstraram isso em suas ordens e em seus estandartes de guerra. Janus é um deus a se respeitar.

Há uma quinta crença destinada ao Quinto Grande Espírito, a Senhora da Lua, Asha. Todos os seguidores de Asha, que são poucos, são antes de tudo pessoas místicas. Acreditam elas que a base de tudo é o Éter (que acretidam ser a essência da vida), e como a maioria delas são feiticeiros, alquimistas (os que não seguem Ys e seus Quatro Elementos) e eruditos, acreditam imensamente no poder da Magia. Parecem todos adorar bastante a Noite e a Lua, e principalmente tudo que é noturno, e para se diferenciarem dos demais adotam um chapéu branco com um símbolo de uma estrela ou de uma lua para serem reconhecidos e se afirmarem. Muitos os apelidaram de Lunáticos, por serem tão excêntricos e estranhos, mas eles se auto-entitulam como Filhos da Lua, e parecem defender a vida a qualquer custo e para muitos o fazem por respeito máximo à senhora que julgam ser uma mulher de pele alva prateada e cabelos de mesmo tom, assim como sua vestimenta. Os “Lunáticos” decerto não possuem igreja, mas se reúnem sempre sob a lua em qualquer lugar para conversar e buscar o máximo do éter na magia que julgam a base de tudo. É ao menos isso o que me parece.

Do Sexto Grande Espírito, podemos indicar toda a sua imensa legião de seguidores, adoradores e promulgadores da fé. São os “bons-homens”, seguidores de Kal-El, o deus mais conhecido e adorado entre a plebe e a ralé desta ilha. Kal-El para eles é o bom, o auxiliador, o curador, o que à todos irá ajudar. Muitos dos guardiões e dos seguidores de Kal-El em geral são surperticiosos, crêem mais na força divina de Kal-El para ajudá-los do que no trabalho da razão e do pensamento lúcido. São bons, decerto, caridosos e honrados em sua maioria, e são diligentes quando se fala em promover o “bem”. Mas são em geral impacientes como o Deus quando o que julgam injusto é feito ou quando o mal e o pecado habitam seus lares e a Cidade. Os Seguidores de Kal-El possuem sua própria Igreja, onde habita um padre, que vigia a todos. Em geral, o padre é sempre eleito pela igreja e é uma pessoa reclusa que parece se dedicar exclusivamente à caridade e ao auxílio. Os seguidores de Kal-El não são de em geral fanáticos, mas os que o são, levam ao excesso sua busca incessante por virtude dentro de seus corações e buscam abnegação de qualquer forma de pecado e condenam Nyx e sua “prole maldita” ao extremo. Os que não são, são os mais tolerantes, e isso e verdade entre nós, e estão sempre dispostos a ajudar nas horas de maior necessidade alheia. A fé de Kal-El enquanto nosso guardião e mentor reside em todos nós, independente de nossas crenças, ou fé.


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- então é de vossa decisão entregar o cargo de Cyren à nossa antiquíssima tradição? Não desejas continuar com o trabalho?

- vós não entendeis? Não é o cansaço que cega a vontade.Tu me enviaste vossos sonhos, mensageiros, deuses, protetores e quem mais. Lutei em vossas guerras silenciosas e sobrevivi ao asceticismo. Agora, sou um novo homem, ainda com feridas abertas, mas jamais morto, e sábio o suficiente para saber que elas fecharão. Julguei que vocês haviam me derrotado. Até perdi a fé mas recuperei a vontade e executei vosso ordenado até o fim. Agora se paro, é por eles. Eles são a luz do mundo, e a luz do mundo é serena e constante. Não entendeis?

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