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Tartarugas Marinhas, Curiosidades
Roberto Carlos C...
post Feb 20 2011, 11:39 AM
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Como moro em Cabedelo – PB, na praia de Camboinha I, pertinho da praia de Intermares, quase diariamente tenho contato com o PTU – Projeto Tartarugas Urbanas. Aliás, não apenas eu, mas centenas de turistas e caminhantes moradores da localidade. É ali que funciona a ONG Associação Guajiru http://www.guajiru.com.br/site/ comandado pela bióloga, Drª Rita Mascarenhas, que mais uma vez nos repassa informações sobre o tema. Nesse artigo, desejo destacar aspectos curiosos da natureza das tartarugas marinhas.

Curiosidades - Reprodução

Será que você sabia: tartarugas marinhas são animais fiéis ao seu local de nascimento - têm a capacidade de ler o campo magnético da Terra. Esse mecanismo se fixa no momento em que os filhotes saem do ninho e correm em direção ao mar. Então, depois de alcançarem a maturidade reprodutiva (por volta dos 30 anos de vida), as fêmeas regressam à sua praia natal e deixam ali seus ninhos garantindo assim as futuras gerações. Mas antes, tem que haver a reprodução, processo que vale a pena conhecermos:

Tartarugas marinhas se reproduzem no verão, pois necessitam das temperaturas mais altas próprias dessa estação do ano para a incubação de seus ovos. Cada ninho tem cerca de 60 cm de profundidade e uma média de 130 ovos. O tempo de incubação depende da temperatura da areia, variando entre 50 a até mais de 70 dias.

Ao terminarem seu desenvolvimento, as tartaruguinhas rompem as cascas dos ovos, mas permanecem dentro do ninho por mais alguns dias pois, como o ovo é redondo (do tamanho de uma bolinha de ping-pong), elas saem encurvadas e por isso necessitam de alguns dias fora do ovo para esticarem o corpo e cicatrizarem o “umbigo” que estava ligado à gema do ovo (fonte de alimento para o desenvolvimento do embrião). Somente depois disso é que escalam a coluna de 60 cm do ninho, saem da areia e correm direto para o mar. Ao entrarem no mar, nadam durante horas em direção ao alto mar, onde buscarão abrigo. Ali, permanecem por volta de cinco anos, até atingirem uma média de 30 cm de cumprimento, então, migram para áreas mais costeiras próximas aos recifes de corais e bancos de algas, onde encontram alimento e abrigo - destacando que essas áreas de alimentação muitas vezes se localizam a milhares de quilômetros do local de nascimento. Quando elas se tornam adultas, regressam nos meses de verão à praia de nascimento e ali depositam seus ninhos, depois, retornando às suas áreas de alimentação. Portanto, tartarugas marinhas são animais migradores de longa distância e fiéis ao seu local de nascimento. Assim, cada indivíduo que retorna a essa praia de Intermares, são filhas de paraibanas, netas de paraibanas, tataranetas de paraibanas, assim indefinidamente.

Cada fêmea pode deixar, a cada estação reprodutiva, uma média de 3 ninhos na praia, pois como não há cuidado parental sobre a prole, a estratégia é colocar muitos ovos para que ao menos 1 filhote sobreviva até a fase adulta. Ou seja, de cada mil filhotes que entram no mar apenas 1 ou 2 chegarão à fase adulta e deixarão descendentes. Essa taxa de mortalidade é natural, porque (assim como todo ser vivo) as tartarugas marinhas têm muitos papéis na natureza, sendo um deles o de servir de alimento para outros animais marinhos, ajudando assim a manter a biodiversidade, o equilíbrio ecológico: a manutenção da cadeia alimentar.

Isso acontece há milhões de anos e as tartarugas nunca estiveram ameaçadas de desaparecer por isso. Entretanto, hoje, elas correm o risco de desaparecer porque muitas atividades humanas como a pesca, a poluição do mar, o consumo da carne, ovos e derivados da tartaruga e a degradação das praias de reprodução causam tamanho impacto fazendo com que essa baixa taxa de sobrevivência seja ainda menor, diminuindo gradativamente o número de indivíduos na natureza, até chegar ao ponto de total extinção, como já registrado em muitos locais do planeta.

Então, fica fácil perceber o quão podemos ser responsáveis pela sobrevivência ou não de algumas espécies de animais. É só lembrarmos de algumas práticas, como ao andar de buggy, moto ou quadriciclo pela areia de praias, sejam urbanas ou não.


Ele ou Ela – Como se define o sexo


Ao contrário de nós seres humanos, tartarugas marinhas têm sua determinação sexual (macho ou fêmea) controlada pela temperatura do ninho, ou seja, não há cromossomas sexuais (X ou Y, por exemplo) É o calor que induz a formação de hormônio masculino ou feminino nos embriões que estão sendo incubados pela areia da praia. Quando a temperatura está por volta de 29,6° em média, nascerão machos e fêmeas na mesma ninhada, acima disso são produzidas as fêmeas e abaixo disso os machos. O nordeste brasileiro tem uma maior produção de fêmeas, pois as temperaturas do nosso verão são geralmente acima de 30°. Mas há que nascer machos, para que ocorra o acasalamento e fertilização dos ovos e garanta a produção das novas gerações. As mudanças climáticas são uma nova ameaça à sobrevivência destes animais, pois as temperaturas tenderão a ser mais altas e, assim, nascendo somente fêmeas não haverá reprodução.

A taxa natural de sucesso de um ninho (número de filhotes que nascem em relação ao numero de ovos da ninhada) é de 80%.

Então, podemos deduzir que há possibilidade de interferirmos na natalidade das tartarugas a partir do manejo adequado de ninhos. Algumas pesquisas falam da utilização de cobertas sobre os ninhos monitorados, como uma forma de resfriá-los, promovendo o nascimento de machos.

No PTU, em Intermares, outra pesquisa é desenvolvida no sentido de evitar a desorientação dos filhotes no momento que deixam os ninhos em direção ao mar. É que como os ninhos ficam a poucos metros da via pública, sua iluminação, bem como, a dos edifícios próximos alteram o comportamento natural dos filhotes, que tendem a buscar a direção das luzes – já que costumam deixar seus ninhos nos períodos da noite/madrugada. A pesquisa consiste em apressar a saída dos filhotes dos ninhos para o período do final da tarde, com luz natural, através de uma técnica chamada de “Cesariana de Areia”.

Entre os anos de 2002 e 2010, o Projeto Tartarugas Urbanas, registrou 808 ninhos em 7 km de praias urbanas da grande João Pessoa (entre o Mag Shopping e a praia de Ponta de Campina), dos quais nasceram 93 mil filhotes da tartaruga de pente.


Nem tudo é sexo e rock’in roll


Outra vertente do Projeto Tartarugas Urbanas, é o monitoramento de encalhes (chegada de animais vivos ou mortos à praia). Os animais vivos são reabilitados para posterior soltura e os mortos não necropsiados na busca de conhecer as causas e morte e assim buscar estratégias de proteção. São 620 mortes registradas nos 8 anos de atividades, sendo que cerca de 40% é resultado de interação com a pesca - com os animais morrendo presos em redes ou em anzóis de pesca industrial. Outros 30% morrem pela ingestão de lixo, principalmente o plástico, que provoca obstrução do intestino, gerando infecções, necroses e morte dos animais. Os demais 40% são mortos por ataques de tubarões, doenças ou as carcaças chegam com avançado estado de putrefação que torna impossível o estudo e identificação da provável causa de morte.

Linhas atrás, mencionamos uma das espécies de tartarugas marinhas: a tartaruga de pente. Essa espécie recebe esse nome, pois infelizmente foi caçada por décadas para a retirada das placas que cobrem a carapaça e com elas serem produzidos, pentes, óculos, anéis, e uma série de bijuterias e enfeites.

Então, diante de tantos métodos de extermínio desses animais, quase sempre patrocinados pelos humanos(?!), atualmente, tartarugas marinhas são protegidas por leis nacionais e internacionais. Capturar tartarugas e seus ovos é crime ambiental inafiançável, leva o infrator à prisão, além de multa de até R$ 500,00 por ovo encontrado com o infrator.


Bem, maiores informações sobre as pesquisa do projeto, sobre artigos, publicações científicas e estágios podem ser obtidos no próprio site da ONG http://www.guajiru.com.br/site/ , ou com a própria Drª Rita, pelo fone (83) 9129.7496

“Só preservamos aquilo que conhecemos”


Este post foi editado por Roberto Carlos Costa: Feb 20 2011, 11:42 AM


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Roberto Carlos Costa
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