Mulheres Negras: Escravas Da Intolerância |
![]() ![]() |
Mulheres Negras: Escravas Da Intolerância |
Jan 2 2011, 10:09 AM
Post
#1
|
|
|
Grupo: Members Posts: 41 Registrado: 18/01/2010 Membro N°: 66451 |
Segundo a constituição de 1988, art 5°, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. A igualdade jurídica é clara, porém não a encontramos em nosso país devido ao preconceito racial e de gênero. As mulheres negras são as principais vítimas de discriminação na sociedade, que as impede de se igualarem aos outros grupos.
As afrodescendentes carregam em seu legado histórico uma série de abusos, explorações e violências. Com um passado condenado pela escravidão, viveram submissas por um longo período, já que a sociedade as desqualificava para atividades superiores, assumindo profissões consideradas até então de caráter inferior, como babás, cozinheiras, lavadeiras e amas de leite (função que, muitas vezes, as obrigava a interromper a amamentação seus filhos para suprir a carência de leite aos filhos das sinhazinhas). Elas eram apenas um instrumento de trabalho escravo e muitas vezes eram abusadas sexualmente por fazendeiros e patrões, além de serem freqüentemente acusadas de bruxaria pelas senhoras, quando o marido se apaixonava pela mucama. Mas, se por um lado a mulher escrava sofria com castigos, condições desumanas e eram obrigadas a abrir mão de seus direitos sem nenhuma objeção, por outro lado existia a mulher quilombola, que participava de manifestações de resistência ao regime escravocrata em determinadas áreas povoadas por escravos refugiados, denominadas Quilombos. Neste refúgio, elas puderam dar o primeiro passo para mostrar o seu verdadeiro espírito guerreiro, lutando pela sobrevivência, resistindo às opressões e criando movimentos que pregavam a liberdade. Algumas delas demonstraram intensa capacidade de liderança ao conduzir numerosas populações quilombolas à conquista de grandes ideais. Dentre os vários sonhos, o da liberdade de uma vida escrava foi concretizado, entretanto a igualdade para as mulheres ainda buscava um canto para prosperar em um futuro longínquo, e como uma semente plantada em meio às pedras, elas não encontravam (e ainda não encontram) subsídios que favorecessem o seu desenvolvimento. Determinadas escravas também encontraram outra forma de mostrar a sua liderança e serem importantes para todo um povo. Trata-se das mães-de-santo do Candomblé, religião trazida da África pelos escravos e até hoje cultuada em boa parte do País, com milhões de adeptos. Essas negras tinham o papel de sacerdotisas (chefes dos “terreiros”, eram chamadas de yalorixás), função em que lhe atribuíam grande responsabilidade, por dirigir uma comunidade religiosa tão importante para eles. Através do culto aos orixás, pela primeira vez, elas puderam buscar suas raízes provenientes da África, mesmo discretamente (esta religião era proibida pelos senhores). Por serem portadoras desta herança histórica, a população passou a vê-las como uma referência de pobreza, incompetência intelectual e marginalidade (boa parte das mulheres envolvidas na prostituição são negras). Embora haja vários programas de inclusão e Organizações Não Governamentais (ONGs) que lutam pela igualdade racial e de gênero, as mulheres negras ainda são o grupo que vive nas piores condições de trabalho, com ocupações informais e posições de menor prestígio em que os salários são reduzidos. O baixo grau de escolaridade é predominante nelas, porquanto começam a trabalhar cedo, muitas vezes ainda na infância, para contribuir com a renda familiar. Isto as impedem de estudar, de ter uma boa formação e até de ingressar numa Universidade, garantindo assim, uma melhor qualidade de vida para si e para suas famílias. O acesso à saúde também reflete a condição desta mulher em nosso meio, já que a maioria delas vive nas periferias das cidades, onde a assistência médica é precária, por causa dos baixos investimentos nesta área. A falta de oportunidade é o principal problema que as impede de obter um futuro promissor. O preconceito que ainda prevalece na sociedade aponta-as como inferiores ou incapazes física e mentalmente. Para que isso acabe e elas possam mostrar seu verdadeiro valor e ocupar uma posição digna, é importante abrir portas e ignorar idéias prévias daqueles que ainda possuem um ponto de vista arcaico ou Julgam pelo sexo e pela cor da pele. É preciso que o governo não só invista na sua inclusão social, como também incentive os programas de combate à violência, ao abuso sexual e Programas de Erradicação do Trabalho Infantil (PETIs) nas cidades brasileiras, para abrir espaço ao desenvolvimento acadêmico, profissional e social destas mulheres. Mesmo com tantas dificuldades, uma minoria representante deste grupo conseguiu ascender socialmente e mostrar que gênero e raça não medem inteligência ou incapacidade, como é o caso das cantoras Sandra de Sá, Margareth Menezes e Negra Li, que por meio de suas músicas, vem difundindo nossa cultura pelo mundo, ou as atrizes Taís Araújo, Isabel Fillardis e Sheron Menezes, alguns dos nossos grandes nomes da teledramaturgia. Na política, podemos citar Benedita da Silva, que foi governadora do Rio de Janeiro (sendo a primeira mulher negra a ocupar este cargo no país) e é atual Secretária de Assistência Social e Direitos Humanos deste Estado; nas artes plásticas, destaca-se Rosana Paulino, com obras que denunciam a realidade preconceituosa, muitas vezes vivida por ela, durante a infância e adolescência. [indent][/indent]Um fator inquestionável que atualmente vem ganhando destaque, tornando as negras um símbolo nacional é a sua beleza, sempre invejada pelas sinhás, seja por sua sensualidade, capaz de atrair os senhores ou pelos seus belos atributos: lábios geralmente carnudos e curvas insinuantes. A sua pele hoje, muitas vezes é desejável, fazendo com que muitas brancas recorram ao bronzeamento para ter o tom quente e sedutor, presente na beleza negra. O fato é que a maioria vê nelas apenas a formosura, o charme e o caráter lascivo, e não a avaliam interiormente, sendo descartadas a sua inteligência e idoneidade. Num país multicultural como o Brasil, é inadmissível a permanência da desigualdade racial e sexista, pois boa parte da nossa população feminina é negra. Tal contradição expressa a falta de reconhecimento e respeito às diferenças, que deixam esta camada social ainda mais presa pelas correntes que um dia estiveram presentes em seu passado. Portanto, pérolas negras vêm conquistando cada vez mais o seu espaço, todavia ainda falta muito para alcançarem a igualdade e viver isentas da intolerância social. Ser negra é levar consigo uma bagagem imensa de preconceitos e um enredo escrito muitas vezes com a tinta do próprio sangue. Como afirma Neuza Santos de Sousa em Tornar-se negro: “Saber ser negra é viver a experiência de ter sido massacrada em suas perspectivas, submetida a exigências alienadas. Mas também é, sobretudo, a experiência de comprometer-se a resgatar a sua história e recriar-se em suas potencialidades”. Este post foi editado por rumorespontocom: Jan 2 2011, 10:16 AM -------------------- |
|
|
|
![]() ![]() |
| Versão Simples | Horário: 21st May 2013 - 08:10 PM |