Intermares E Sua Democracia Medieval, Povo Sofre... |
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Intermares E Sua Democracia Medieval, Povo Sofre... |
Apr 16 2011, 09:54 AM
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Grupo: Members Posts: 102 Registrado: 3/09/2009 De: Cabedelo-PB Membro N°: 64552 |
Se nós, moradores de Intermares, em Cabedelo-PB, estivéssemos na Idade Média, certamente estaríamos usando barbas, cabelos longos, unhas proeminentes e sujas e nossas mulheres estariam praticando rituais de bruxaria – verdadeiras crises de TPM do futuro - que as levariam à fogueira da inquisição, sob os olhares de aprovação de Paulo Coelho. Nossos shoppings seriam tabernas engorduradas, onde matronas de farto decote serviriam precioso vinho tinto, em cântaros de argila ou metal, enquanto assistiríamos duelos de espadachins, cujos cortes sangrentos seriam fechados com açúcar mascavo e costurados com tripa de gato esticada e seca. A comida seria a caça abundante: lebres, pacas, faisões, bacalhau(o bicho, não o processo) e até veados, por entre espigas de milho, legumes e raízes. Nos pés, alpercatas para não fazer calo, o shampoo condicionador seria azeite extra-virgem e remédio pra dor de cabeça, sexo – muito sexo animal. Mulher reclamar do marido,? Só se fosse louca e marido reclamando de mulher, uma guerra de cem anos. Reclamar do rei, então, só com o aval do Papa e isso tudo muito bem organizado pelo clero, dono dos saberes do mundo, inclusive do que seria certo ou errado – meu Deus!
O feudo, com sua corte e rei ajaezados de pedras e má intenção, poderia tudo diante da plebe, mesmo quando estes tinham pedras na mão. Sábios reis e bispos: convenceram o povo a protestar com moles ovos e tomates ao invés de contundentes pedras e adagas, em respeito à democracia do futuro, proclamada por artistas cênicos, poetas e trovadores embriagados de então. Portugal – imaginem – tinha poder e sabedoria; mesa de bar era távola redonda; menino mamava em loba; traições só nas famílias reais e as cortes não faziam cortesia a seu ninguém. Se Intermares vivesse naquela época, mensageiro era apelidado de Internet, castelo seria feito, literalmente, de areia – de praia, claro -. Nossas salas de teatro a lá Teatro Elisabetano mostraria sua cena por entre as pilastras e meandros do castelo real. Se na Espanha, os Corrales Espanhois, com seus carroções conduzindo cada cena pelas ruas, em frente aos terraços imperiais, enquanto a plebe se matava para acompanhá-los e ajudar a desenterrá-los da lama – prenúncio do Carnaval da Bahia e outras micaroas e micarandes, além de carnatais carnais. Naquela época, lembremos, a área urbana(interna) do feudo era limpíssima, mediante o trabalho escravo dos roteiristas hollyoodianos, sendo as fezes de então sem mau-cheiro ou qualquer tipo de contaminação – aliás, os medievais não defecavam, pensavam em política. O termo ‘mar de lama’ dos dias de hoje, à época do Intermares Medieval, nada tinha a ver com corrupção. Afinal, lá era roubar e começava-se a perder os dedos das mãos, até ter os olhos queimados, furados e beliscados por enormes corvos. Mar de lama, então, referia-se a condição excelente das vias públicas, decoradíssimas por poças d’água de diferentes cores: esverdeadas, azuladas, sendo aquelas amarronzadas próprias para proteção das rodas dos carroções dos moradores. É que a lama, quanto mais densa mais protegia os eixos das rodas, além de evitar os efeitos da maresia. A cada chegada do período das chuvas, o rei providenciava o aprofundamento das poças e até canalizava os córregos a garantir que elas se mantivessem cheias d’água. Usava para isso uma engenhoca inventada por um tal de Leonardo da Vinci, exclusivo do feudo, de forma que o Intermares Medieval , muitas vezes apelidado de Everglades Paraibanos, podia vender aos povos que por ali passavam o quanto de tecnologia e desenvolvimento era cioso aquele reinado de quase uma década. No futuro, a ciência do turismo sustenido, saberia enaltecer tais feitos. A verdade é que a localidade viveria feliz: crianças brincando em poças d’água onde até cururu andava de canoa, jovens donzelas suspirando versos, como, “Ai, ai, que bom viver pra esse rei; quando até meu pensamento clama; meu Intermares – oito meses de poeira, quatro meses de lama” . Outros, nos fins de semana, reunidos em volta das poças d´água maiores, pescando de fly que, já àquela época usavam iscas artificiais imitando o gracioso mosquito da dengue. À beira-mar, uma verdadeira aula de naturismo, à medida que apareciam mortas tartarugas e peixes que iam lentamente apodrecendo por entre os sargaços, verdadeira fonte renovável daquele bioma, onde lindos bandos de urubus saciavam sua fome, numa mostra evidente de que não haveria necessidade de gastar o dinheiro do feudo com trabalhadores da limpeza urbana. Os poucos e reduzidos espaços destinados ao laser, como praças públicas, etc, permaneciam intocadas, de forma a preservar sua vegetação nativa de urtigas e gramíneas que, no mínimo, ajudavam a encobrir os entulhos e alguns focos de larvas do mosquito da dengue, tudo, já naquela época, em benefício da preservação de seus ecosistemas. Problemas de segurança? NENHUM! Pensem num povo pra viver tranquilo quanto a isso! Definivamente, a Intermares Medieval não saberia nada sobre roubo à mão armada. Esse tipo de assalto só ocorria pelo mar, como se podia ver no Jacaré, aos domingos. Ainda assim, tudo pareceria uma grande festa, com a música tocando Luís Gonzaga e os piratas a dar tiros pra cima, como a saldar São Sebastião. Lindo, lindo! A verdade é que a Democracia Medieval é muito mal interpretada pelo povo. Dizem: “É o governo do povo, pelo povo, para o povo”... Sim, então o povo que resolva suas dificuldades e não ficar esperando que um simples rei venha resolver tudo sozinho. Já basta o trabalho que ele tem com as finanças do feudo. No entanto, na hora em que o povo clama pelo rei, desejoso de poder dizer-lhe algumas verdades, ele e seu séquito se recusam, enquanto toca a ária, “Vou, não! Quero não! Posso não! Minha mulher não deixa não!”... Enquanto, canta o sabiá, pula o sapo na lagoa, e grita o desesperado: “Tião, fosse? Fui! Comprasse? Comprei! Me diz quanto foi... Foi quinhentos réis”... E ainda, enquanto isso, em Gotam City, Tiririca conduz os trabalhos na Comissão de Educação e Cultura, na Câmara Federal... Arhg! -------------------- Roberto Carlos Costa
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