Dança Com Os Espíritos, para ser lido na neblina e sob a chuva |
Dança Com Os Espíritos, para ser lido na neblina e sob a chuva |
Oct 23 2003, 10:37 PM
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:: fearing the pain :: Grupo: Members Posts: 616 Registrado: 8/06/2002 Membro N°: 555 |
Ele não sabia o que me antecedia. Pois ele era apenas um jovem qualquer, sentado em sua oficina de trabalho, sem saber o que fazia, apenas o fazendo, esperando o próximo prato de sopa, ou o próximo guisado de coelho. O vento dos países tropicais soprava frio neste Inverno e ele, um mero pebleu, orgulhando-se de seus feitos comuns e de sua pouca ciência acima da média comum de ciência nula do resto da plebe, envaidecia-se aos poucos desprezando tudo o que lhe fazia parte, e ao mesmo tempo, buscando algo que não era seu, algo alheio ao mundo, algo, que supostamente não existia.
Josh Namoor era filho de um artesão, um gravurista para falar bem-verdade, e de uma simples e obediente dona-de-casa, assim como todas as outras de sua vila. A sua vila, conhecida como Meyerburg, era um cantinho de habitação presente no mundo, cercado por vinte ruas fundadas com nomes de santos, todas elas ao redor de uma igreja dedicada à virgem imaculada. Não acontecia nada naquele reduto cristão isolado do mundo, nada mesmo, mas ao mesmo tempo, Meyer parecia isolada e intocada por todo o mal. As cinco colinas que a cercavam e o céu sempre azul sobre sua presença lhe davam um ar de paraíso, um Éden perdido onde judeus poderiam ali viver em paz, junto aos pagão, junto aos deuses novos e ao deus morto na cruz. Não que a religião fosse mistér ou presente, ou mesmo praticada em todos os seus excessos, ritmos e dogmas, ou mesmo com seus simbolismos mais estranhos, mais ortodoxos. Era uma religião comum praticar o bem, a moral e viver o dia-a-dia como se fosse essa a máxima divina imposta por profeta muito antigo que chegara ali em tempos antigos. O pai de Josh, Isaac, era um desses judeus, rude pela natureza do interior provocada, duro em seus princípios, honrado, mas tez. Tal sorte era a sua personalidade, que Josh, irmão de Jezebel, quatro anos mais nova que ele, a copiou, e assim como a irmã, invaideceu-se de seus poucos feitos. A dona da casa, a esposa, mãe, matriarca obediente, de vontade firme, mas coração fraco, pouco pode fazer pelos seus filhos. Estavam impuros, ou um gênio ruim os provocara. Maria, como era seu nome, levantava a cabeça com orgulho diante dos olhos de suas vizinhas, sendo a única mulher judia a ir trabalhar em uma loja de homens. Não que as outras a condenassem, mas Maria sentia orgulho disso. Maria tinha orgulho de seus filhos, e estes, assim como Isaac, eram orgulhosos de si mesmos. Assim, Josh, morador pebleu simples de Meyer, ía a universidade, a única presente nas proximidades, mais propriamente, em White n' River, um burgo de proporções gigantescas, em algum lugar longe, sete colinas abaixo, além da Vila do Brejo e da Mata dos Cordeiros, em direção ao mar. Tal era a distância, que Josh tinha de todo o dia, acordar bem cedo e caminhar até um carro de boi de seus parentes e todo o dia fazer a viagem. Durava de duas a três horas, e o dia parecia ter muito pouco tempo para poder-se fazer as orações e os trabalhos da oficina, então muitas vezes Josh não comparecia à universidade, e os monges não se queixavam. Quem seria Josh para ele senão um pebleu numa escola de patrícios. Isso porque Josh, que era judeu, tinha uma tia abastada de catolicismo ferrenho moradora da distante vila de Santanna, onde um rei lá morava, mais tantos outros, e um imperador, em seus palácios de mármores e pedras preciosas, onde damas-de-honra cortejavam suas lindas e bem mimadas filhas e seus jovens valetes eram paparicados e educados na superioridade. Assim, Josh apenas estava na Universidade de White n' River devido a uma carta de recomendação de sua tia, que dizia, em poucas palavras, o quão promissor era o jovem, apesar dela mesmo desconfiar, em seu íntimo e de seu pai não desconfiar nem no íntimo sequer, alegando à alto e bom tom, o quão seu filho era isso ou aquilo, ou balbuciando com desprezo todos os seus erros, à amigos, inimigos, estranhos e potenciais um dos três. Josh, apenas abaixava sua cabeça, e engulhia seu orgulho, e ía à Universidade, e trabalhava feito um cachorro velho e xucro, e engolhia de novo o seu orgulho quando chegava em casa, e escutava de seu pai todas as besteiras, e via dele sair a fumaça do cigarro do qual era escravo pelas narinas e associava-o ao próprio demônio, e brigava por um pouco de razão, diante de uma família sem razão, numa pequena aldeia correta e cheia de alguma razão. Uma vez, Josh, então, nesses dias em que o céu é nublado e a chuva fina e rala, sendo espalhado pelo vento feito grãos em um campo de centeio, estava sentado em sua cadeira, numa das grandes salas do edifício, sob a luz de velas, lendo um antigo livro empoeirado e velho, um códice de toda a sabedoria restrita de um grego qualquer, escrito por um latino, ministrado em sua sala por um judeu. As sombras, lá longe, no canto da sala, moviam-se alheia a sua presença, e as femininas sorriamlhe, porque Josh apesar de sua face de um garoto, era bonito e dele as moças da universidade se interessavam, mas Josh, alheio ás paixões de sua pequena Meyer, ainda tinha em seu coração amargurado por sua razão, uma jovem de nome que não será citado, ardendo em brasas em seu peito. Assim Josh pensava, e ainda continha isso como líquido precioso de um elixir sagrado, como se fosse o próprio sangue de cristo, que em seu paganismo santo, jurava a divinidade pertencer, apesar de hipocritamente negar, como faria um judeu. Então, as sombras masculinas das amizades recém-formadas acenavam-se e muitas delas se aproximavam-se, assim como Mark Cenirzal, filho de emigrantes índios de um país distante, ou William Tower, um santo homem de coração desengonçado, mas bem-humorado e boa companhia de trova, papo e conversa jogada fora. Para eles, Josh era apenas um jovem tímido cuja a seriedade era dedicada ao trabalho, e quase nada mais, e cuja a inteligência era intuidada, assim como o seu poder com as palavras. Muito o chamavam de Místico, outros o associavam à um duende ou espírito halfling das florestas, talvez mais pela sua aparência, que pelo seu caráter. Que fazer então Josh, quando viu uma multidão invadir a sala e um frei começar a dar uma palestra sobre um tema da mais sucinta área da razão e filosofia à mil jovens que entravam. Quando todos sentaram, Josh animado pelas companhias desses novos amigos e pela presença de um novo conhecimento a´ser adquirido, distraiu o seu olhar então para alguém que nunca tinha visto. Talvez, por obséquio dos espíritos aos quais tanto acreditava e chegava a conversar, ou pelo destino, ou mesmo pelo fato de seus olhos de águia estarem olhando naquele exato ponto, viu-a. Ela tinha cabelos de fogo, assim como previra a profecia de sua vida. Pequena, sutil, bela. Entrou na sala lentamente, ela e suas últimas colegas, e sentaram-se em um canto, em pequenos bancos e olharam a palestra do frei com a atenção de todo o novato. Que ventos fortuitos acabariam de soprar no jovem Josh, que fazer? Três meses se passaram, e a lembrança da jovem misturou a outras mil histórias de sua vida, sempre como algo que distante, mais concreto, e então, numa dessas datas especiais, onde há sempre uma festa de gala a espreitar do do dia seguinte, onde o sono é grande que a tarde pede para logo terminar e onde a sina dos amores perdidos no passado se fundem a uma nova possibilidade. Então perguntaram para Josh: De quem sois interessado, hobbit? e então Josh disse lembra-se de uma ruiva, de quem sois tão próximo, William Tower, aquela com quem tu brincas, sabes de quem eu falo? e então William Tower sitou seu nome e Josh baixou os olhos, mas sua vontade e força, sentiu esperança e prosseguiu, dizendo sim, mas sabendo que não haveria chance. Como poderia um pebleu ter algo ou mesmo pedir o dote de um jovem estrangeira de uma terra latina muito longe, de língua enrolada, tão bonita feito um rubi, de uma graça feito um anjo, tão bela feito o céu, a água e o mar, e ao mesmo tempo, tão rica, que seu pai era um rico emissário dessa nação, que fugindo da crise que lá rompera, refugiara-se nas terras de San'Steven. Quimeras que não podiam ser respondidas, mas William Tower, então sorriu, e disse-lhe, em segredo: - Ela vêm de um passado triste. Amou um jovem, que não podia ser correspondido, e tudo acabou quando veio para nossas terras, hobbit. - Então há alguma chance. Não há ninguém agora? - Não. - Então só posso sorrir, William. Nada mais me resta. Então anoiteceu, e o pensamento se curvou para o dia derradeiro seguinte. Uma festa, simples, como todas as outras, se anunciava sob o luar. Arlequins e Colombinas de máscaras desfilariam sob a luz da lua, onde os romances de um dia se apresentariam em romanche sob a noite, e onde rosas poderiam se tornar espinhos. Era um alvoroço o inteiro prédio e os sonhos se mostravam em cada sorriso de cada canto. Talvez então, haveria um sonho rubro para o plebeu Josh e sua princesa nobre. Que fazer senão esperar o dia raiar? Ele esperou, e não brigou com seu pai quando este disse visitar em breve as distantes terras judaicas em peregrinação, e não brigou com Jezebel ou não idolatrou Maria, sua altiva mãe. Ele dormiu, e escreveu em sua mente e em sua mão: Espíritos, Sorte. E dormiu em paz um dia antes de tudo, inferno, paraíso ou do trovão. Cyrenwords -------------------- - então é de vossa decisão entregar o cargo de Cyren à nossa antiquíssima tradição? Não desejas continuar com o trabalho? - vós não entendeis? Não é o cansaço que cega a vontade.Tu me enviaste vossos sonhos, mensageiros, deuses, protetores e quem mais. Lutei em vossas guerras silenciosas e sobrevivi ao asceticismo. Agora, sou um novo homem, ainda com feridas abertas, mas jamais morto, e sábio o suficiente para saber que elas fecharão. Julguei que vocês haviam me derrotado. Até perdi a fé mas recuperei a vontade e executei vosso ordenado até o fim. Agora se paro, é por eles. Eles são a luz do mundo, e a luz do mundo é serena e constante. Não entendeis? |
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Oct 25 2003, 05:32 PM
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Strawberry!!! Grupo: Members Posts: 569 Registrado: 14/04/2002 De: Grey City Membro N°: 415 |
Muito bom, as aways.
Tão bom ter a esperança de não ter nada a perder... -------------------- "Bla! Bla! Bla! É tudo o que eu ouço..."
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Nov 6 2003, 01:07 PM
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relax Grupo: Members Posts: 1051 Registrado: 16/04/2002 De: WTF? Membro N°: 460 |
indeed, well done..
-------------------- Abrace um amigo! |
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| Versão Simples | Horário: 26th May 2013 - 01:02 AM |