Falências, empreendedorismo e a nossa economia
Publicado por Conrado Navarro em 12.08.2008 na seção Economia Geral, Empreendedorismo
Nação empreendedora que somos - afirmação totalmente minha, faço questão de alertá-lo -, temos bons motivos para comemorar recentes números divulgados pelo Serasa. O Indicador Serasa de Falências e Recuperações, divulgado na semana passada, indica uma queda de 42,1% no número de falências decretadas no mês passado na comparação com o mesmo período do ano passado.
Usando como referência os números publicados na notícia que apresenta o estudo, em julho, 77 empresas faliram contra 133 em julho do ano passado. Os pedidos de falência também recuaram, mas em ritmo mais lento. Caíram 20%, de 229 para 183. São números bastante expressivos, que mostram a resiliência do atual momento econômico brasileiro, forte apesar da alta dos juros e da inflação.
Tem mais. Se considerarmos o primeiro semestre de 2008, veremos que o Indicador Serasa de Falências e Recuperações registrou uma queda de 37,8% na quantidade de falências decretadas na comparação com o mesmo período do ano passado. Os pedidos de falência seguiram a tendência de baixa e diminuíram de 1729, em 2007, para 1353 este ano. Queda de 21,7%. O empreendedorismo de qualidade agradece, não é?
Que conclusões tirar disso tudo?
Os dados e fatos comprovam que a indústria e o comércio vivem um bom momento. Dados recentes de uma pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria) comprovam que o primeiro semestre foi interessante para os grandes grupos industriais e também empresas em geral. Com mais vendas e faturamento crescente, é natural que as finanças das empresas tenham mais chances de se acomodar, o que diminui a possibilidade da empresa “quebrar”.
Além disso, há maior capital disponível para quitar dívidas, seja pelo crédito abundante ou mesmo pela folga no fluxo de caixa. O consumidor, ponta desta importante cadeia, impulsionou o crescimento econômico através dos reflexos da facilidade na obtenção de crédito e no ligeiro aumento da renda vivido entre meados de 2007 e o início de 2008. É isso mesmo, o país, como um todo, está melhor.
E como fica o segundo semestre?
Os efeitos econômicos normalmente tardam um pouco a aparecer, o que acende uma luz de alerta em relação ao segundo semestre deste ano. Apesar do notório esforço do governo em manter a inflação dentro dos limites da meta, é possível que o reflexo da diminuição do poder de compra e da alta dos preços das matérias-primas e dos juros seja sentido já a partir de agosto.
Portanto, creio que o ritmo mais forte das altas da Selic deve minar um pouco a “energia” das indústrias nestes próximos seis meses. Representantes da indústria também crêem nesta possibilidade de arrefecimento - embora não saibam precisar exatamente como ela deve atingir as empreas -, mas temem também problemas com o escoamento dos grandes estoques formados durante o período aquecido de vendas.
É importante celebrar a melhor realidade econômica do Brasil no primeiro semestre e continuar de olho para que ela se repita ao longo do ano. Vale a estabilidade da moeda, o grande avanço econômico do país em relação ao crédito e também o novo papel do consumidor - agora com mais consciência financeira (será?). Empresários e empreendedores, parabéns! Brasil, parabéns! Mas o desafio continua…
Crédito da foto para stock.xchng.
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3 comentários
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Conrado, sua visão é perfeita.
Acrescento a isso o melhor preparo do empresário brasileiro, inclusive buscando ajuda de entidades que fazem um trabalho importante na capacitação de novos empreendedores como o SEBRAE.
Isso tudo nos leva a acreditar que muitos bons negócios surgirão no país daqui pra frente.
Abraço
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Não vejo o empreendedorismo brasileiro como uma predisposição da população e sim uma necessidade. Quanto mais pobre um país mais criativo tem que ser população. Questão de sobrevivência.
O governo está colhendo frutos somente de sua inércia, nenhuma política foi feita para beneficiar o setor. Houve sim um aumento do consumo, esse alavancado pelo governo, com as obras do PAC, e o fácil acesso ao crédito por parte da população.
Apesar do governo utilizar da política de privatizar os lucros e dividir (conosco !) o prejuízo. Essa política só atente á que não precisa que são as grandes empresas, o pequeno empresário (o endividado !), ainda tem que recorrer a crédito muito caro devido a falta de lastro e garantia.
Empreendedor no Brasil é teimoso! Burocracia em excesso, dificuldade de crédito, segurança precária e ainda com o país pagando o maior juros real do mundo. Quem vai querer investir? Por enquanto é melhor ficar no plano financeiro. Ainda estamos muito longe de nos tornar competitivo.