Há poucos dias do início da maior celebração do esporte mudial, somos viemente bombardeados por uma enxurrada de informações, curiosidades e fatos corridos na sede da maioria das competições, Pequim. Se por um lado os Jogos Olímpicos cumprem seu papel derrubando qualquer estereótipo capcioso que tínhamos sobre o oriente, por outro somos obrigados a ouvir as mesmas ladainhas de oportunistas e autoridades.

Qual o conceito de “espírito olímpico”? Se existe um, trata-se de participar. Ser leal. Ser justo. Vivenciar a honra e orgulho de representar a nação frente ao mundo. O verdadeiro atleta olímpico vai aos Jogos pela participação. Claro, evidente que todos querem o ouro, o título de melhor. Mas participar de uma celebração dessas, desfilar na abertura, passar 20 dias na Vila Olímpica, conhecer outros atletas, trocas experiências, tudo isso faz parte da mística que envolve os Jogos.

Wlamir Marques, ex-jogador da seleção brasileira de basquete, tem uma história interessante sobre sua participação nos Jogos Olímpicos. No Jogos de 1964, no Japão, Wlamir foi o responsável por carregar a bandeira brasileira durante o desfile das delegações na cerimônia de abertura.

No ensaio, Wlamir observou que atletas de outras nações curvavam suas bandeiras ao passarem por autoridades japonesas. Em dúvida, questionou o chefe da delegação nacional, tenente-coronel Paulo Meireles, se devia fazer o mesmo. A resposta que o jogador recebeu foi primorosa:

- “A bandeira brasileirão não se curva à ninguém”.

Assim, contrariando todos os outros atletas e o protocolo, Wlamir foi o único atleta a cruzar todo o estádio com a bandeira o tempo todo em riste.

A minha função, espero eu, é não deixar você se enganar. Principalmente o jovem quem vai acompanhar os Jogos Olímpicos pela primeira vez. Passada a euforia do Pan do Rio de Janeiro, onde o Brasil conquistou 161 medalhas, sendo 54 de ouro, chegou a hora de encararmos a primeira divisão do esporte. De igual para igual, claro, com o sentimento indispensável de competição. Porém, com o amargo peso de país de terceiro mundo.

Nossos atletas do atletismo, por exemplo. Aguardam ainda hoje uma profissionalização prometida em 1952, quando o grande Ademar Ferreira da Silva ganhou a medalha de ouro e criou a volta olímpica. Meio século passado, não temos um plano de incentivo ao esporte que possa fazer frente a países menores como Cuba e Jamaica.

Com isso, grande parte dos atletas divide o tempo entre trabalho e treinos, sendo claramente prejudicada. Curiosamente, ou não, um dos poucos brasileiros profissionais nessa modalidade é a nossa maior esperança de medalha no atletismo. Jadel Gregorio há quatro anos treina e mora na Inglaterra. Tem acompanhamento físico, técnico e psicológico. Assim, pulou 17,90m, quebrando o recorde sul-americano que pertencia a João do Pulo desde 1975.

Jadel é uma exceção. Grande parte de outros brasileiros vão às pistas, piscinas e tatames sabendo que não têm chances. Homens e mulheres que batalham diariamente na vida e no esporte. Felizes. Satisfeitos.  Estão nos Jogos Olímpicos, representam o Brasil. Sabem que não vão ganhar. Mas, e daí? Querem conhecer, aprender, quem sabe, surpreeender.

Sem incetivo, sem condições de treinamento, sem o mínimo de apoio, o Brasil tem 469 integrantes com índice olímpico. Porém, a velha máxima se faz outra vez: “quantidade não é qualidade”.

Desse número recorde de atletas brasileiros numa única edição de Jogos Olímpicos, somente 12 têm reais chances de ganhar uma medalha. A previsão é da PWHC, uma das maiores empresas prestadoras de serviços do mundo, especializada em consultoria e auditoria.

O estudo é baseado em desempenho anteriores nos Jogos Olímpicos de 1988 para cá, em índices de desenvolvimento de cada país, suas populações, produtividade, crescimento econômico e incentivo ao esporte. E é essa última parte que “nos quebra”.

Se o sr. Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, se vangloria tanto do alto número de atletas brasileiros, respondemos com outro dado. Somente 12% das escolas brasileiras possuem quadra poliesportiva. Um número ridículo. Afinal, se na escola, local onde a criança costuma ter seu primeiro contato com o esporte, não há onde praticar, como formaremos esportistas no futuro?

A grande mania do brasileiro: pensar no hoje. O amanhã é problema do próximo ministro ou presidente. Se há uma saída, uma possibilidade do panorama esportivo no Brasil mudar, os responsáveis são justamente os atletas amadores. Brasileiros que não vão correr somente em busca de uma quase impossível medalha. A partir de quinta-feira, eles vão correr atrás de dignidade.

Vou vibrar com uma medalha de ouro no futebol. Vou vibrar com uma medalha no vôlei. Mas, tenho certeza, ficarei ainda mais feliz com um inacreditável quinto lugar no boxe ou uma apresentação digna no 400m. Só dessa forma, só sendo notícia para que esses atletas sejam lembrados e respeitados. Assim, mudarem a história do esporte desse país.

Boa sorte aos que merecem.

¹ O termo Olimpíada foi criado para destacar a corrida na Grécia Antiga. Já o termo no plural, Olimpíadas, é como ficou conhecido o evento que reúne várias disputas simultâneas, com vários esportes. Resumindo, o “correto” é o mais usado pelos meios de comunicação: as Olimpíadas.

² Na dúvida, use Jogos Olímpicos.

Fred Fagundes

25 Comentários para “A Olimpíada ou as As Olimpíadas?”

  1. Comentário de: Garympo

    Esse “plano brasileiro” sobre o hoje não se aplica somente ao esporte de base. Esportes coordenados por brasileiros (como a capoeira que tive a oportnidade de acompanhar de perto) são vitimados por tentativas próximas do ridículo quando tentam crescer. O dito “campeonato mundial”, feito como tentativa para tornar a capoeira esporte olímpico (a figurar nas Olimpíadas de Beijing como demonstração), foi desmarcado e remarcado em pelo menos cinco oportunidades.
    Acabou sendo realizado, com 80 participantes dos quais menos de 10 eram estrangeiros.
    Se podem tratar o (a tão pouco) patrimônio cultural brasileiro dessa forma, o que dizer de outras modalidades menos populares.

  2. Comentário de: Lucas Balduino

    Acho que ali no final foi falado algo importante: “Ficarei ainda mais feliz com um inacreditável quinto lugar no boxe ou uma apresentação digna no 400m”.

    Vivemos num país que não tem a cultura da conquista, apenas da vitória. Pro brasileiro não basta o cara estar ali participando e ter uma apresentação digna, tem que ser sempre o número um!

    Crucificaram a Daiane dos Santos nas Olimpíadas passada. Crucificaram o Guga quando ele não ganhou. Acho que esses e outros atletas mereciam toda a nossa reverência simplesmente por estarem ali.

    Acredito que se formos gastar nossas energias cobrando resultado de alguma modalidade, minha única decepção, talvez compartilhada por muitos aqui, é o fato do nosso futebol masculino nunca ter se vestido com o ouro olímpico. Até quando vamos viver na inexistência de um Planejamento Olímpico para a modalidade?

    Mas no resto, o que importa é o que interessa. Vamos ver nossos ídolos e aplaudí-los, seja por uma medalha de ouro ou seja pela tentativa.

  3. Comentário de: Daniel Felipe

    Nas Olimpiadas agora vou tiar a imagem de “anti-patriota” que tenho nas Copas do Mundo.

    Agora sim torço pro Brasil, agora fico feliz com cada vitoria.

    Pot todos motivos que voce falou, nas Olimpíadas, sou Brasil.

    pelo esforço de nossos atletas que tem que trabalhar para poder nos representar lá fora…

    Na Copa do Mundo, do jeito que está, vai demorar muito pra eu ser Brasil de novo.

  4. Comentário de: Fabrício

    Boa :]

  5. Comentário de: vinícius

    lembrando que nem no futebol o Brasil tem medalha de ouro nos jogos olímpicos.
    no meu colégio tinha uma quadra de futebol, que servia também para vôlei e basquete. mas a gente só jogava futebol, vôlei e handebol. basquete muito de vez em quando. atletismo nunca vimos… isso porque era um colégio particular, imagina os públicos.
    imaginem agora quantos talentos desperdiçados não tem Brasil a fora…

  6. Comentário de: João Carlos

    ainda assim prefiro a COPA DO MUNDO DE FUTEBOL!!!

  7. Comentário de: Marcelo Tischer

    Sinceramente, a questão de não ter quadras esportivas em escolas… uhmmm.. está certo, mas confesso que mesmo que fosse 100% de escolas com quadra não seria suficiente para o Brasil crescer esportivamente.

    Do que adiante quadra, sem um professor adequado de Educação Física que realmente ensine um esporte ao atleta. HOje em dia, os valores de educação física estão alterados. O pensamento do professor (pelo menos aqui na minha região) é somente jogar a bola e deixar os alunos suarem!

    Ou seja, a mentalidade é praticar um exercício físico, e não formar campeões!

    É preciso também olhar melhor para outras modalidades… Não somente ensinar na escola o Basquete, vôlei, handebol e futebol…

    Espero que para meus filhos seja diferente, e olha que nem fiz eles!

  8. Comentário de: Pgarske

    Falou tudo, também acho indignante a situação do esporte no Brasil. Temos tudo para ter atletas de alto nível, além de tirar as crianças da violência/drogas e colocar num lugar digno. O problema são so governantes de cabeça pequena que fazem tudo no “mandato” esquecendo do futuro.
    Te juro que se eu fosse uns desses do boxe/atletismo na hora do hino eu cantaria de costas pra bandeira.

  9. Comentário de: Nana

    O problema é que o brasileiro não está educado pra ver nada além de futebol. Isso é fato. Concordo que deva haver mais investimento em outros esportes SIM, mas não vai resolver tudo, infelizmente.

  10. Comentário de: mustafa

    sabe…..to aqui no japao e nem sei quando começa as olimpiadas….tenho escutado e visto atraves da net…mas .ao me dei ao trabalho de ver quem foi convocado….ou conseguiu o indice olimpico para poder representar o Brasil….sei que todos tem a mesma oportunidade nas provas,independentes de estarem preparados ou nao…pelo menos eles estao la..representando o pais de origem..e so pelo fato de eles estarem la ja sao dignos de aplausos e reconhecimento…mesmo que voltem pra casa sem conseguirem nenhuma medalha..pelo menos eles poderam falar que representaram seu pais quando foram escolhidos….e isso e uma grande vitoria a todos que la estao….parabens .pelos atletas….que estao la….e retornem com a cabeça erguida para seus paises de origem mesmo que nao ganhem nenhuma medalha.

  11. Comentário de: Carlos Muniz

    Concordo!! A televisão influi para a ilusão de que os Jogos Olímpicos para o Brasil é uma coisa magnífica. Pouquíssimos sabem o sofrimento que é para aqueles atletas conseguirem chegar aonde chegam… Claro que existem algumas exceções. Acho que ainda vai demorar para termos uma cultura esportiva forte no país. Quem assistiu o Ministro dos Esportes na ESPN ontem pôde ver como ele se esquivava das perguntas do Palomino e do Elias… Lamentável.

  12. Comentário de: Stelios Kokkinakis

    Na grecia, quem ganha uma medalha olimpica, seja bronze, prata ou ouro, ele ganha patente de militar reformado, sendo que quando se aposentar ele pode pelo menos ter uma aposentadoria do exercito!

    outro caso é que a TV aberta não se dedica em outros esportes, além do futebol. A globo só mostra volei quando o brasil joga, basquete é a mesma coisa. Invés de mostrar o campeonato brasileiro de volei, por inteiro e não só a final e outras inumeras modalides, assim ninguem vai conhecer quem compete e nenhum patrocinador vai estar interessado!

  13. Comentário de: Luiz C. Moura

    Bem, o problema, como citado no post, nao depende somente de uma estrutura digna para a pratica, tal como quadras poliesportivas em escolas. Relembrando o que o Marcelo disse, os profissionais responsaveis pelas safras de novos atletas olímpicos infelizmente não são dignos da função que lhes são designadas. Profissionais esses, escolhidos por uma prova idiota, que certamente não avalia a capacidade de se implantar, coordenar e colher frutos de um projeto esportivo.

    Atleta medalhista hoje, brasileiro, com reconhecimento internacional so existe se for talento ou se vier de família rica. O cara tem q ter muito, mas muito talento mesmo para ser patrocianado, ou seja, não existe o incentivo… ou melhor, o incentivo é por que o cara sabe que se não mostrar resultados, não tem grana no fim do mês. Ninguém no Brasil incentiva o surgimento de atletas, so incentivam consagrados ou promessas que valham o investimento. Quando digo ninguém, incluo o governo.

    Dessa forma, mesmo assistindo o progresso e os programas esportivos dos outros países, sabendo o caminho, sem dedicação e interesse, ou melhor, somente pensando em lucros com a imagem de atletas, seremos sempre os mesmos meros coadjuvantes olímpicos.

  14. Comentário de: ATer

    fiquei com mais duvida agora..

  15. Comentário de: SL

    NA MINHA OPINIAO NAO PODERIA EXISTIR OLIMPIADAS ISSO SÓ GERA GASTOS……….

  16. Comentário de: julio

    pora meu a gente procura uma coisa e vem outra pra que fazer isso propaganda inganosso mas vão se criar seus filhos da p………………
    eu sou do gueto meu se quiser meter podi vim num tenho medo
    seus desgrasados bjuxxxxxxxxxx

  17. Comentário de: julio

    pra que gastar dinheiro da pra mim
    so do gueto meu eu preciso mais do que vcs…
    hahahahaahaha
    bjuxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

  18. Comentário de: Luana

    Eu achei esse site uma BOSTAAAA!!!
    Tem outro bem melhores q esse..

  19. Comentário de: Leandro Zoi

    Olimpíada é o intervalo de tempo entre dois Jogos Olímpicos, ou seja, quatro anos. Olimpíadas seriam, portanto, dois ou mais intervalos de quatro anos entre Jogos Olímpicos.

  20. Comentário de: jeka♥♥sebi

    essa Olimpiada ta sendo uma merda!!!
    fora o cesar que conquistou ouro
    o resto e resto…

  21. Comentário de: angêla

    voces não tem vergonha na cara de cavalos não é ? de colocar essa merda para ser publicada , eu tirei 0 porque na pesquisa eu coloquei isso no meu caderno, e a professora disse: que eu vou tomar 0 na pesquisa ,por causa dessa merda que eu copie desse site pau no cu ,e eu estou avisando que se voces não tirarem essa porcaria de publicação, eu vou processar voces todos, por falta de inteligência ,seus bandos de filhos da desgrça ,e da putas seus desgramados, voces não perdem por esperar ,e mande a resposta dessa porra para o meu email,tá rebanhos de indiotassssssss!!! xauuuuuuuuuu ate a proxima abestalhados ……….

  22. Comentário de: LIndinha

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk badabada

  23. Comentário de: poly

    nao encontrei o que queria estou muito chateada!!!

  24. Comentário de: carla

    muito besta

  25. Comentário de: moranguinho

    Bosta pk eu ñ acho o q eu quero so aparesee estas BosTass q ñ tem nad´s a ver cop o que eu pesquisso????? SakoOO

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  • Já fui office boy, operador de CPD, diagramador de jornal e estagiário em emissora de TV. Na faculdade fiz um documentário, dois zines e professores chorarem. Considero futebol cultura. E De León melhor que Figueroa. Maragato, 22 anos e um poço de sinceridade.