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08/05 - 19:40hs
O HD que veio do espaço
Dados armazenados em disco rígido que sobreviveu à queda do ônibus espacial Columbia são recuperados e usados para concluir pesquisa científica.
Rafael Rigues
Quando o ônibus espacial Columbia se desintegrou durante a reentrada na atmosfera, durante a missão STS 107 em 1º de Fevereiro de 2003, imaginou-se que pouca coisa poderia sobreviver ao desastre. De fato, os restos da espaçonave se espalharam por mais de 2 mil locais ao longo dos estados do Texas, Louisiana e Arkansas, e o material recuperado representa apenas uma pequena porção do que compinha a espaçonave.
Entretanto, algumas coisas são mais resistentes do que parecem. Por exemplo, placas de petri contendo uma colônia de pequenos vermes nematóides adultos, cada um com não mais de 1 mm de comprimento, foram encontradas, e os animais estavam vivos. Outro item recuperado foi um disco rígido de 340 MB, usado para gravar os resultados de experiências a bordo.
A princípio o disco, um Seagate Marathon ST9385AG, parecia inutilizável. Todo o plástico derreteu, os chips se soltaram da placa de circuito e os componentes estavam literalmente torrados. Selos de borracha se romperam, e os "pratos" metálicos onde os dados são armazenados estavam cobertos de poeira e detritos. Na Terra, discos rígidos deixam de funcionar a toda hora por causa de simples picos de voltagem ou danos muito menores. Quais as chances de recuperar o conteúdo deste, após tantos danos?
Entretanto, o disco continha os resultados de uma experiência importante, que visava determinar o comportamento do gás Xenônio em ambientes de gravidade zero. Depois de identificado, ele foi enviado a uma empresa especializada em recuperação de dados, para determinar o que podia ser feito.
A empresa imediatamente se pôs a trabalhar: os pratos (a única parte do disco que poderia ser salva) foram limpos e colocados em um outro disco rígido. Uma nova placa de controle foi localizada e instalada, e testes determinaram os parâmetros corretos de leitura do disco. Meses depois, os resultados: 99% dos dados originais foram recuperados. O suficiente para que a pesquisa sobre o gás fosse concluída, e os resultados publicados na revista especializada "Physical Review E".
Parte da durabilidade do disco se dá à forma como a NASA escolhe o hardware que vai ao espaço. Em vez do "melhor e mais rápido", a agência espacial dá preferência a sistemas e componentes duráveis, que possam operar durante anos sob as inóspitas condições do espaço. Isso significa processadores mais lentos, discos rígidos menores, fiação blindada e muita redundância. Mas parte também se deve à pura sorte: dois outros HDs que estavam a bordo da Columbia também foram encontrados, ambos completamente destruídos.
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